A Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que 48% do eleitorado brasileiro desaprova o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ante 47% que aprovam a gestão do petista. Segundo a avaliação da analista de política da CNN Clarissa Oliveira ao Live CNN, os dados revelam que Lula dá sinais de avanço junto ao eleitorado de centro.
Avanço no eleitorado independente
De acordo com Clarissa Oliveira, a pesquisa aponta que Lula conseguiu reconquistar parte do chamado eleitor independente — aquele que não está polarizado nem para a direita nem para a esquerda.
“Lula dá sinais de que ele conseguiu reconquistar parte do eleitorado de centro”, afirmou a analista, ressaltando que algumas oscilações ainda ocorrem dentro da margem de erro. Ainda assim, ela destacou que se trata de “uma tendência visível, perceptível na pesquisa”.
A analista apontou dois fatores principais para esse movimento. O primeiro é o chamado “caso Dark Horse”, que teria gerado desgaste político para o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
O segundo é o conjunto de medidas anunciadas pelo governo federal nos últimos meses. “Você tem sinais muito consistentes de que o pacote de bondades que a gente tem visto ser anunciado pelo governo federal e algumas medidas muito estratégicas para a eleição estão começando a surtir efeitos“, disse Clarissa.
Flávio Bolsonaro recua, mas segue como principal adversário
Apesar do recuo nas pesquisas, Clarissa Oliveira destacou que Flávio Bolsonaro (PL) não deve ser descartado como força política. Até pouco tempo atrás, ele estava em situação de empate técnico com Lula e havia uma tendência de crescimento.
Agora, esse cenário mudou, mas a analista ponderou que “ele resiste apesar do ‘caso Dark Horse‘, apesar do vínculo entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o desgaste político provocado por todo esse episódio sobre o financiamento do filme sobre a história do pai dele”.
A polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, segundo a analista, permanece intacta. Os demais candidatos à direita, com exceção de Renan Santos — que demonstra “uma movimentação um pouco mais expressiva” —, não conseguiram capitalizar o desgaste de Flávio.
Parte do eleitorado que migrou pode ter ido para Lula, especialmente eleitores de centro que já votaram nele anteriormente. “Esse parece ter voltado, pelo menos uma parcela dessa turma parece ter voltado para Lula”, afirmou Clarissa.
Há ainda registros marginais de migração para outros nomes, como Aécio Neves (PSDB-MG), que não constava em pesquisas anteriores, com cerca de 2% de intenções de voto.
Clarissa reforçou que o quadro atual é “infinitamente melhor” para Lula do que o observado anteriormente, mas que o desafio será manter essa tendência positiva nos próximos meses. “Tem muito tempo ainda até a eleição“, ponderou a analista.