O governo federal anunciou um conjunto de medidas econômicas que inclui o Desenrola 3.0, o fim da taxação sobre compras internacionais, o reajuste do Bolsa Família e a desoneração da gasolina. Apesar de o pacote ter o potencial de melhorar a percepção da população sobre a economia, especialistas alertam para os custos futuros que essas ações podem trazer ao país.
Medidas ainda sem impacto expressivo
Lucinda Pinto, analista de Economia, destacou ao CNN Prime Time que o Desenrola 2.0 e o Desenrola Adimplentes são duas iniciativas voltadas à renegociação de dívidas que, até o momento, ainda não produziram efeitos claros sobre a redução da inadimplência. “A gente não viu ainda um efeito muito claro, muito expressivo nessa questão”, afirmou a analista.
O fim da taxação sobre compras internacionais de baixo valor — chamada de “taxa das blusinhas” — também integra o pacote. Segundo Lucinda Pinto, a medida é relevante, sobretudo por ter sido revertida muito próximo ao período eleitoral, já que a própria taxação havia sido adotada pelo atual governo. O pacote contempla ainda programas como o Pé-de-Meia e o auxílio a entregadores, voltados a segmentos específicos da economia.
Reajuste do Bolsa Família e desoneração da gasolina preocupam
O reajuste de 15% no Bolsa Família chamou atenção pela forma como foi anunciado. De acordo com a analista, embora haja reconhecida necessidade de apoio às famílias de menor renda, o aumento veio de uma só vez, sem aviso prévio e sem que constasse no planejamento orçamentário do próprio governo. A ausência de previsão na proposta de orçamento representa um desafio adicional para a execução fiscal.
Já a desoneração da gasolina tem como objetivo conter o impacto do aumento do preço do petróleo sobre a inflação. No entanto, Lucinda alertou que esse alívio é temporário. “Em algum momento esse preço vai chegar para a economia, para o consumidor. É como se a gente estivesse gestando uma inflação ali para frente”, explicou a analista.
Preço a pagar no futuro
Para Lucinda, o conjunto de medidas parece ter como objetivo principal melhorar o sentimento da população em relação ao atual momento econômico. Contudo, a analista ressaltou que há um custo que será cobrado em breve. Segundo ela, as consequências devem se manifestar no aumento da dívida pública, na dificuldade de execução do orçamento — dado o volume de despesas obrigatórias que não podem ser alteradas de imediato — e, como resultado, em maior inflação e em uma taxa de juros que não consegue recuar diante desse cenário.