Autoridades do Irã e de Omã afirmaram que chegaram a uma proposta para estabelecer uma rota temporária pelo Estreito de Ormuz. O acordo pretende retirar minas e garantir a passagem segura de navios pela via estratégica. No entanto, os detalhes sobre os planos ainda são escassos e contraditórios entre as partes envolvidas.
Segundo a mídia estatal iraniana, o projeto fecharia uma rota autorizada pela ONU na costa de Omã, fazendo com que os navios passassem por águas iranianas em ambas as direções. Já um comunicado emitido por Omã não mencionou o fechamento dessa rota.
As negociações contribuíram para a queda global dos preços do petróleo pelo terceiro dia consecutivo, com o barril do tipo Brent registrando desvalorização de 0,16%, sendo comercializado a US$ 82.
Tensão com os Estados Unidos
A aproximação entre Irã e Omã aumentou as tensões com Washington. O presidente americano, Donald Trump, chegou a ameaçar bombardear Omã caso o país, segundo ele, interferisse nas negociações com Teerã.
A ameaça ocorreu após Omã, historicamente parceiro dos Estados Unidos, questionar ações de Trump durante o conflito. Trump também afirmou que mais de 20 embarcações passaram pelo estreito nas últimas 24 horas, declarando que a via está aberta — o que o Irã nega.
Além disso, Trump anunciou que todas as minas colocadas por Teerã em águas internacionais do estreito teriam sido removidas e reforçou o plano de sancionar países que mantêm relações comerciais com o Irã.
Estreito virtualmente fechado
O professor de Relações Internacionais da PUC-Minas Danny Zahreddine contestou a afirmação de que o Estreito de Ormuz estaria aberto normalmente. “Se a gente pega que antes do dia 28 de fevereiro nós tínhamos ali 150, 160 navios passando por dia, e agora o presidente Trump fala que passaram 24, e que ontem passaram 14 ou 12, nós temos uma realidade que pressiona o mundo“, afirmou.
Zahreddine acrescentou que, embora possam ter sido retiradas minas em águas internacionais, nas águas territoriais do Irã elas ainda permanecem. Para ele, o estreito continua fechado e tanto os Estados Unidos quanto o Irã estão sob pressão: os americanos pela ordem mundial, pelo preço do petróleo e pelas eleições de novembro, e o Irã pela situação econômica.
Países vizinhos buscam entendimento direto com o Irã
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna destacou que a movimentação diplomática recente foi desencadeada por uma reunião entre os chanceleres do Irã e de Omã, Abbas Araghchi e Sayyid Badr Albusaidi.
Segundo Lourival, os países vizinhos preferem construir um arranjo regional próprio, especialmente após perceberem que o guarda-chuva americano acabou atraindo ataques iranianos.
Papel da China e margens de manobra dos EUA
A participação da China no conflito também foi debatida. Zahreddine afirmou que Pequim colabora ativamente com o Irã e que reagiria de imediato a qualquer sanção americana que a atingisse.
“Isso é importante para a China, não só porque importa 90% do petróleo iraniano, mas porque na sua ordem multipolar é muito importante que o Irã continue sendo essa cabeça de ponte no Oriente Médio”, explicou. Ele alertou que sancionar empresas chinesas equivaleria a atingir a própria economia americana, configurando o que chamou de “tiro de bumerangue”.