Análise: Não existe animosidade de Trump em relação a Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Donald Trump, conversaram por telefone nesta sexta-feira (21) em uma ligação que durou aproximadamente uma hora e vinte minutos. O diálogo teria tratado principalmente de tarifas comerciais contra produtos brasileiros, segundo informações divulgadas após a conversa. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o tema ao CNN Prime Time.

Lourival avaliou que a duração da chamada confirma o que suas fontes em Washington sempre indicaram.

“Não existe nenhuma animosidade do presidente Trump em relação ao presidente Lula”, afirmou Sant’Anna, acrescentando que essa percepção se consolidou desde que Trump teria se afastado do ex-presidente Jair Bolsonaro a partir de agosto ou setembro do ano passado, culminando em um primeiro encontro após a Assembleia Geral da ONU.

Questões técnicas separadas da relação bilateral

Sant’Anna ressaltou que temas como vistos, a tentativa de envio de funcionários para verificar o processo eleitoral brasileiro e as disputas comerciais são questões de natureza técnica e institucional, não reflexo de tensões pessoais entre os dois líderes.

Segundo o analista, o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio — descrito como uma figura política de alta estatura com convicções ideológicas fortes em relação à América Latina —, e o USTR seguem mandatos próprios, voltados à criação de melhores condições comerciais para os Estados Unidos.

“Não tem nada a ver com a relação entre Trump e Lula”, destacou.

O analista também refutou a narrativa de que haveria uma cooperação entre o presidente argentino Javier Milei, e Donald Trump para atacar Lula.

“As minhas fontes sempre me disseram que não existia isso, que o Trump não está envolvido nisso”, declarou Sant’Anna, referindo-se a informações que, segundo ele, fontes do governo brasileiro teriam tentado fazer circular.

Contexto político americano

Sant’Anna chamou atenção para o fato de que uma hora e vinte minutos representa um tempo consideravelmente longo para um presidente americano, especialmente a cerca de 70 dias de eleições legislativas relevantes, nas quais toda a Câmara e parte do Senado serão renovados.

De acordo com o analista, o partido de Trump enfrenta dificuldades para manter a maioria, o que pode impactar diretamente o governo.

Nesse cenário, Sant’Anna avaliou que Trump busca boas notícias na política externa, já que enfrenta impasses com a Coreia do Norte, o Irã, a faixa de Gaza e o conflito entre Ucrânia e Rússia.

“Para ele, uma política externa que traga bons resultados, que não dê a impressão de que é tudo muito problemático, é interessante”, concluiu o analista, ponderando que, embora o Brasil não seja o país mais relevante nesse contexto, evitar problemas no hemisfério ocidental é sempre preferível.

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