Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao primeiro debate direto deste domingo (18) com estratégias voltadas não apenas para o confronto na televisão, mas, sobretudo, para a repercussão nas redes sociais.
Segundo avaliação da âncora da CNN Débora Bergamasco, ao CNN Agora, os candidatos estão orientados a produzir falas e momentos que possam ser transformados em cortes e amplamente compartilhados nas plataformas digitais.
De acordo com Bergamasco, a lógica dos “recortes” domina a campanha eleitoral de 2026. “Recorte é tirar, é você pegar um recorte e fazer a narrativa que você quiser, inventa o contexto que quiser”, afirmou.
Ela destacou que, como o debate ocorre tarde da noite e nem todos conseguem acompanhá-lo integralmente, o conteúdo fragmentado que circula pelo WhatsApp e outras redes acaba tendo alcance muito maior do que a transmissão completa.
Estratégias distintas para o debate
Os dois candidatos chegam ao debate com perfis bastante diferentes. Bergamasco ressaltou que Lula participa de debates desde 1989 e é reconhecido pela espontaneidade. “O presidente Lula é absolutamente espontâneo. Ele sabe seguir orientações, mas se ele decidir ali na hora fazer um ataque, ele vai fazer”, analisou.
Já Flávio Bolsonaro é descrito como um candidato disciplinado, que seguirá rigorosamente as orientações de sua equipe de campanha. “O treinamento dele é para atacar assim, para falar isso, para fazer aquilo. Diferentemente do pai dele, Jair Bolsonaro, que era ingovernável, incontrolável. Flávio é ‘by the book'”, avaliou a analista.
O desafio de Lula: oferecer esperança
Bergamasco apontou que a estratégia de Lula de resgatar realizações passadas — como a Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida — não tem surtido o efeito esperado na campanha. Segundo ela, o que o candidato precisa fazer agora é oferecer perspectiva de futuro.
“O que o presidente Lula precisa fazer é oferecer esperança para as pessoas. As pessoas estão olhando para frente”, disse. A analista observou que Flávio Bolsonaro, por sua vez, aposta em promessas de prosperidade sem necessariamente detalhar como pretende alcançá-las — uma estratégia que, segundo ela, ressoa com o eleitorado.
Contradições que devem pautar o confronto
Bergamasco antecipou dois temas que devem marcar o debate: a redução da maioridade penal e a escala de trabalho 6×1. No primeiro caso, Lula, historicamente contrário à medida, passou a se declarar favorável — o que abre espaço para questionamentos por parte de Flávio Bolsonaro.
No segundo, Flávio Bolsonaro criticou publicamente o fim da escala 6×1, mas acabou votando favoravelmente à proposta, o que também representa uma contradição a ser explorada pelo adversário. “Esse tipo de coisa, de ideias, deve ser o palco do confronto. O confronto da ideia de mostrar uma contradição do outro”, concluiu Bergamasco.