O Brasil atravessa, neste momento, uma crise sem precedentes no STF (Supremo Tribunal Federal). É uma crise cujos desdobramentos ainda são difíceis de prever, mas que, certamente, deixará marcas profundas e deverá se prolongar por algum tempo.
Alexandre de Moraes está no centro dessa discussão em razão de revelações decorrentes de relatório da Polícia Federal envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como resposta a esses acontecimentos, Moraes pediu a inclusão de André Mendonça no inquérito das fake news.
O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, porém, negou o pedido. Ao mesmo tempo, sinalizou a possibilidade de encerramento do inquérito das fake news e solicitou manifestações de André Mendonça, da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da Polícia Federal. Os órgãos têm prazo de cinco dias úteis para se manifestar sobre o caso.
A partir dessas manifestações, Fachin deverá avaliar os próximos passos e poderá levar a questão ao plenário do Supremo. Minha percepção, contudo, é que dificilmente haverá uma decisão imediata. É provável que o presidente do STF prefira deixar a poeira baixar antes de tomar uma decisão mais definitiva. Existe, inclusive, a expectativa de que esse assunto seja postergado para depois das eleições.
O ponto central é que há, neste momento, uma série de investigações e inquéritos em andamento na Corte. O surgimento de novos fatos, especialmente aqueles que possam produzir efeitos sobre a sucessão presidencial, não pode ser descartado.
Na minha avaliação, são justamente esses episódios, inquéritos e investigações que podem contribuir para definir os rumos da eleição presidencial de 2026.
A disputa, hoje, está completamente em aberto. Se Lula apresentava um leve favoritismo anteriormente, o cenário atual é de maior equilíbrio. Pesquisas recentes apontam empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em algumas simulações de segundo turno e, em determinados levantamentos, uma vantagem de Flávio.
Isso não significa que o resultado esteja definido. Pelo contrário. O que as pesquisas mostram é um quadro de profunda indefinição, no qual qualquer novo fato relevante pode alterar o equilíbrio da disputa.
Augusto Cury (Avante) também apresentou algum crescimento nos levantamentos mais recentes. Ainda assim, considero pouco provável, neste momento, que ele consiga ultrapassar Flávio Bolsonaro nessa disputa.
O aspecto mais importante, portanto, é que a eleição ainda está longe de ter um cenário consolidado. Os acontecimentos políticos e, principalmente, os desdobramentos das investigações em curso podem exercer influência significativa sobre a sucessão presidencial.
Na próxima semana, por exemplo, André Mendonça deverá ouvir um empresário a respeito de uma delação premiada envolvendo o filme “Dark Horse”. Esse depoimento pode trazer novos elementos e acrescentar mais peças a um cenário que já é bastante complexo.
Por isso, continuo avaliando que a eleição presidencial está completamente em aberto. Não há, neste momento, um favorito consolidado. Os rumos da disputa poderão ser definidos não apenas pela dinâmica tradicional das campanhas e das pesquisas, mas também pelos fatos novos que surgirem das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal.
O cenário político brasileiro, portanto, permanece sujeito a mudanças importantes. E, diante da quantidade de investigações e episódios ainda em desenvolvimento, não podemos descartar que novos acontecimentos tenham impacto direto sobre a eleição de 2026.
*Cristiano Noronha é cientista político e vice-presidente da Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.