Aliado de Flávio no Ceará rebate Michelle e cita apoio de Bolsonaro a Ciro

O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) criticou o vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na última quarta-feira (24) e afirmou que o apoio do PL (Partido Liberal) à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará tem o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo Alcides, pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE) — que esteve na linha de frente do arranjo político com Ciro —, o vídeo de Michelle é “infeliz”, contém “alegações infundadas” e “só serviu para ser usado pelo PT para ecoar os seus discursos e interesses”.

Além de fazer acusações contra o enteado, o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Michelle disparou contra o apoio do PL a Ciro e questionou a pré-candidatura de Alcides ao Senado.

Entretanto, o parlamentar cearense alega que a aliança do PL local com Ciro “não foi feita às escondidas” e contou com o respaldo de Bolsonaro.

“A aliança não foi ideia minha, nem foi feita às escondidas, como o vídeo da Michelle sugere. Tudo foi construído à luz do dia, de forma coletiva, junto com nossa base. Dizer que isso [a aliança] foi feito pelas costas do presidente Bolsonaro, num momento em que ele não pode opinar, é faltar com a verdade”, declarou Alcides.

“O pontapé inicial desse diálogo, lá atrás, teve a visão, o cálculo político e o aval do próprio presidente Bolsonaro. Isso é público e irrefutável. Eu tenho total consciência de todos os problemas que aconteceram no passado entre Ciro e Bolsonaro. Não sou ingênuo, a política é dura”, acrescentou.

Ainda de acordo com Alcides, Michelle tenta emplacar a vereadora de Fortaleza Priscila Costa como nome do PL ao Senado. Esse seria um dos motivos pelos quais a ex-primeira-dama teria decidido gravar o vídeo de quarta-feira.

“No dia 14 de abril, numa reunião fechada entre você, Altineu [Côrtes], André [Fernandes] e Valdemar [Costa Neto], você disse que toparia fazer aliança com Ciro desde que fosse colocada a sua indicada ao Senado na chapa. Os valores são mesmo inegociáveis ou todo esse estardalhaço contra nós e esse enorme prejuízo à campanha de Flávio foi apenas uma tentativa de criar um caos e impor uma vontade particular sua?”, questionou Alcides.

Pesquisa AtlasIntel/Focus divulgada há pouco mais de uma semana mostra Alcides pontuando entre 13% e 15,8% (conforme o cenário testado), atrás do senador Cid Gomes (PSB), do ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) e da deputada federal Luizianne Lins (Rede).

“Por que alguém com a minha experiência de vida, que construiu essa candidatura junto ao partido inteiro, que pontuou melhor em pesquisa e conquistou a vaga por mérito, deveria recuar para imposição pessoal? É por que não agrado a vontade particular de quem mal conhece um palmo do nosso estado? Ou por que não atendo a interesses individuais dessas pessoas”, concluiu Alcides.

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