O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na chapa à reeleição de Lula (PT), afirmou que Flávio Bolsonaro, candidato do PL (Partido Liberal), está “dando uma desculpa” ao condicionar a abertura dos sigilos à divulgação de informações sobre os gastos do governo Lula e os registros de visitas ao Palácio do Planalto.
A fala foi durante agenda de campanha em Campinas (SP), ao lado do ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Para Alckmin, o senador deve explicações tanto sobre a suposta sociedade com o advogado investigado Willer Tomaz quanto pelos R$ 134 milhões pedidos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Ele tá dando uma desculpa, né? Vida pública é vida pública. Não dá para ser candidato à Presidência da República e não querer prestar contas”, disse o vice.
A troca de acusações começou durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.
Flávio afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta. O senador também acusou Lula de movimentar recursos fora de suas contas bancárias.
Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao STF (Supremo Tribunal Federal) um documento autorizando a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de familiares, incluindo a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e os cinco filhos do presidente.
A autorização, porém, está condicionada a que Flávio faça o mesmo, assim como Jair Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL). O pedido prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos, inclusive de contas e empresas registradas em nome dos candidatos.
Aliados de Flávio consideram a iniciativa uma armadilha política e orientaram a campanha a ignorar o desafio. A avaliação é de que responder ao tema prolongaria a repercussão da estratégia petista, que busca desgastar o adversário com cobranças de transparência.
A equipe do senador pretende concentrar o discurso em críticas ao PT e, quando abordar o assunto, questionar Lula sobre investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.