O problema fiscal brasileiro é de toda a sociedade e não uma preocupação somente da Faria Lima ou dos empresários, avalia o CEO do banco BRPartners, Ricardo Lacerda.
Em entrevista ao Capital Insights, programa de entrevistas da Broadcast em parceria com a CNN Money, Lacerda disse que há um consenso de que as consequências são muito sérias para a população como um todo, dado que a taxa de juro está em patamar “insuportável”.
“Apesar da dinâmica de polarização da eleição presidencial, todos vão ter de entender que tudo (ajuste fiscal) vai ter de ser construído com a população, com o congresso, com as empresas, no fundo nenhum partido vai ser predominante no congresso”, afirmou.
Lacerda notou que os dois candidatoz à presidência que têm predominância nas intenções de voto demonstram, por meio de interlocutores ligados à economia, interesse em promover o ajuste fiscal.
Entretanto, o mercado, em sua opinião, tende a acreditar que Flávio Bolsonaro seria um presidente a fazer um ajuste fiscal maior, ainda que nenhum plano tenha sido apresentado, porque as empresas, as gestoras e o mercado como um todo estão muito machucados pelos problemas econômicos dos últimos quatro anos.
“É uma questão de narrativa. Até acho que o atual governo está chamando muito para ele o problema fiscal, com o qual contribuiu, mas que não é só dele, vem de muitos anos”, afirmou. Segundo ele, nem toda a situação do país é culpa do atual governo.
Lacerda falou ainda sobre a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) a qual escalou a histórica insegurança jurídica no Brasil. Para o banqueiro, a crise no STF nasce com a transformação do poder judiciário brasileiro em um balcão de negócios, com impacto no custo do dinheiro e na taxa de juro brasileira.
“Vamos ser transparentes, todos sabem como as decisões são tomadas e quem são os envolvidos, e tudo isso culminou no que se transformou em uma várzea no Supremo Tribunal Federal, não tem outra definição”, disse.
Lacerda disse que as empresas multinacionais e as companhias locais enxergam tudo isso, gerando um consenso de que é preciso haver uma reforma ampla do judiciário. “Há empresas que dizem que não olham para o Brasil por conta da insegurança jurídica”, acrescentou.
Lacerda comentou ainda sobre o impacto do juro excessivamente elevado na liquidez das empresas, citando que várias foram pegas de surpresa pelo aumento das taxas por um período muito prolongado.
“Hoje, uma companhia com alavancagem de 2,5 vezes trabalha para pagar juro”, afirmou. Para ele, é preciso fazer o que for necessário para se ter juro mais baixo e que o ideal seria taxa real entre 4% e 5%.