A privatização da Copasa entrou em uma nova zona de incerteza após as propostas apresentadas por Aegea Saneamento e Equatorial Energia ficarem abaixo do valor mínimo esperado pelo governo de Minas Gerais, segundo fontes ouvidas pela CNN sob condição de anonimato.
O movimento está gerando ruído sobre o modelo desenhado pelo Estado para a desestatização da companhia. O preço mínimo definido pelo governo funciona, na prática, como uma referência de “valuation” da empresa em um cenário sem privatização. A avaliação desconsidera ganhos esperados de eficiência, expansão operacional, melhora de governança e potencial de geração de caixa da Copasa sob controle privado.
A expectativa inicial do mercado era de que a disputa pela companhia mineira atraísse competição entre grandes grupos de infraestrutura. Segundo interlocutores próximos ao processo, caso as ofertas abaixo do piso sejam mantidas, o governo deveria seguir com a venda pulverizada das ações no mercado, sem a definição de um acionista de referência. Nesse modelo, o Estado reduziria sua participação acionária por meio de oferta subsequente de ações, mas sem transferir o comando estratégico da empresa a um investidor âncora.
Esse cenário é visto com cautela dentro do próprio governo e entre agentes financeiros envolvidos na operação. O receio é que, sem um investidor de referência, o preço final das ações fique abaixo do patamar inicialmente projetado e que a estratégia com venda pulverizada também não alcance o preço mínimo. O BTG, como líder da oferta, não deu informações aos potenciais estratégicos ou ao mercado sobre os desdobramentos.
Procurada, a Aegea não quis comentar o assunto. A Equatorial disse que o grupo “está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”.
A Copasa, por sua vez, se manifestou da seguinte forma:
“A Companhia reforça que cumpre o seu papel institucional de dar transparência aos ritos processuais determinados pelo acionista vendedor e que, em razão do período de silêncio regulatório e do caráter estritamente informativo do documento, a Diretoria Executiva não emitirá comentários adicionais sobre as razões estratégicas do Estado ou sobre o mérito das alterações até a republicação dos atos oficiais.”