O técnico Abel Ferreira voltou a reclamar das punições que recebeu por seu comportamento à beira do campo e afirmou que não pretende mais comentar decisões da arbitragem. O desabafo aconteceu neste domingo (1º), após a vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre o Vasco, no primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil.
Questionado sobre a reclamação dos vascaínos por um possível pênalti não marcado, após um toque de mão de Barboza, Abel preferiu não analisar o lance. O treinador disse que suas manifestações sobre a arbitragem nos últimos anos acabaram prejudicando sua imagem.
“Nunca nenhum treinador na história do futebol brasileiro levou jogos como eu levei por reclamar. A conclusão que cheguei, infelizmente, depois de seis ou sete anos, com a experiência que tenho e deveria ter aprendido mais rápido, é bater em ponta de faca”, afirmou.
Abel também criticou o que considera interferência política no futebol brasileiro e voltou a mencionar as punições aplicadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
“Quando o futebol deixar de ser político, acredito que as coisas podem melhorar. Só me prejudiquei a defender o Palmeiras. Minha imagem, meu nome e como se só não bastasse, ainda tive o STJD a fazer… se calhar deveria ser mais vezes castigado. Não vou falar mais dos árbitros”, declarou.
“Estão à espera de usar Abel como Cristo?”
O português lembrou que já foi expulso 15 vezes desde que assumiu o Palmeiras e questionou a diferença entre as punições recebidas por ele e por outros treinadores.
“Houve um que levei um jogo (do STJD), um deles pediu pra rever o processo, quer dizer não estudou? E saiu de um pra três. Nunca tinha levado seis ou sete, nunca no futebol brasileiro. Alguém falou ou estão à espera de usar Abel como Cristo?”, questionou.
Apesar das críticas, o treinador reconheceu que seu comportamento nem sempre foi adequado.
“Não tenho nada contra nenhum deles porque nem sequer os conheço. Meu espírito competitivo e às vezes a injustiça que estou a ver faz com que tenha comportamentos que não condizem com meu lugar”, admitiu.
Abel afirmou que pretende deixar as discussões sobre lances polêmicos para a imprensa e defendeu melhores condições de trabalho para os árbitros, incluindo um rodízio maior de profissionais ao longo da temporada.
Abel prevê dificuldades contra o Vasco
O Palmeiras venceu o Vasco por 1 a 0, com gol de Mauricio, mas Abel lamentou as oportunidades desperdiçadas pela equipe, que poderia ter construído uma vantagem maior para a partida de volta.
“Foi um jogo que dominamos e não conseguimos traduzir em mais gols nosso domínio”, avaliou.
O treinador citou chances perdidas por Flaco López e Giay, além de uma finalização de Arias que foi afastada por Paulo Henrique.
Com a vitória, o Palmeiras precisa apenas de um empate no segundo confronto para garantir vaga na final da Copa do Brasil. O jogo está marcado para domingo (8), às 17h, em São Januário, no Rio de Janeiro.
“Desde que cheguei, nunca chegamos a esta altura em todas as competições. Vamos lutar por todas elas. Vai ser um jogo sofrido. O Vasco tem um belo treinador, é competitivo, se reforçou. Será um jogo difícil”, afirmou Abel.
O técnico também voltou a reclamar do calendário brasileiro, especialmente da sequência de partidas e do pouco tempo de recuperação dos jogadores.
Antes de enfrentar o Vasco novamente, o Palmeiras recebe o Remo na quinta-feira (5), pelo Campeonato Brasileiro.

A primeira falha do experiente de 40 anos ocorreu com apenas dois minutos de bola rolando. Após receber um recuo do zagueiro, o goleiro tentou driblar o atacante Facundo Suárez e foi desarmado. O atacante adversário teve apenas o trabalho de empurrar para o fundo das redes.
Estadao Conteudo | 11:12 – 01/11/2026