Ex-ministro de Lula demitido após fraudes no INSS declara apoio ao petista

O atual presidente do PDT e ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, anunciou, nesta segunda-feira (20), apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A aliança foi confirmada durante convenção do PDT, em Brasília. É a primeira vez em 12 anos que o PDT apoiará um presidenciável petista já no 1° turno.

“A sua tarefa é maior que olhar pelo Brasil, o senhor precisa olhar pela democracia do mundo. É uma honra para o PDT ter o senhor como nosso candidato”, disse Lupi ao discursar no evento.

Carlos Lupi pediu demissão do comando do Ministério da Previdência em maio do ano passado, após ele estar no centro das investigações de um esquema de fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do INSS Instituto Nacional do Seguro Social). O esquema de fraudes pode ter desviado mais de R$ 6 bilhões.

De acordo com registros e detalhes dos inquéritos conduzidos pela CGU (Controladoria-Geral da União) e pela PF (Polícia Federal), Carlos Lupi foi alertado sobre indícios de irregularidades em descontos na folha de pagamento de aposentados ainda em junho de 2023. A primeira medida de combate às fraudes só foi adotada pelo Ministério da Previdência em 2024.

Em reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), uma das conselheiras, Tonia Galleti, solicitou que fosse incluída na pauta uma discussão sobre os ACTs (Acordos de Cooperação Técnica) das entidades que possuem desconto de mensalidade junto ao INSS.

Segundo a ata da reunião, o pedido foi negado, pois a pauta já estava elaborada. A conselheira então reforçou o pedido, alegando que havia “inúmeras denúncias feitas”.

Ela solicitou ainda que fosse apresentada a quantidade de entidades que possuem ACTs com o INSS, a curva de crescimento dos associados nos 12 meses anteriores e uma proposta de regulamentação que garantisse maior segurança para trabalhadores, INSS e órgãos de controle.

De acordo com a ata, Lupi registrou que a solicitação era “relevante”, mas não haveria condições de atendê-la imediatamente, pois seria necessário “um levantamento mais preciso”.

No âmbito das investigações, Alessandro Stefanutto, que presidia o INSS, também deixou o comando do órgão em meio às irregularidades. Indicado por Lupi, Stefanutto acabou demitido por suspeitas de corrupção.

Denúncias por corrupção

Além da Previdência, Carlos Lupi foi indicado para comandar o Ministério do Trabalho em 2007, ainda sob Lula, permanecendo no posto até 2011, já no governo de Dilma Rousseff (PT), quando renunciou após denúncia de irregularidades na pasta. À época, ele era acusado de se beneficiar de recursos de ONGs que tinham convênio com o Ministério do Trabalho.

Em 2011, a Comissão de Ética da Presidência havia recomendado a demissão de Lupi. O então ministro se antecipou e, na ocasião, decidiu sair por conta própria.

Convenção do PDT

Nesta segunda, durante convenção do PDT, o partido oficializou o apoio à reeleição do presidente Lula no pleito deste ano. Entre outras composições estaduais, a aliança entre os partidos garantiu o apoio de Lula e do PT às pré-candidaturas de Juliana Brizola (PDT) e Requião Filho (PDT) aos governos estaduais do Rio Grande do Sul e do Paraná, respectivamente.

É a primeira vez em 12 anos que o PDT apoiará um presidenciável petista já no 1° turno. A última vez se deu em 2014, quando a legenda esteve na coligação de Dilma Rousseff, que venceu a reeleição na ocasião.

Nas últimas duas eleições gerais, o PDT decidiu lançar Ciro Gomes à Presidência. Em 2018, a sigla comandada por Carlos Lupi anunciou “apoio crítico” a Fernando Haddad (PT) no 2° turno diante de Jair Bolsonaro (PL); em 2022, optou por Lula, também diante de Bolsonaro.

Ciro Gomes deixou o PDT no final de 2025 e se filiou ao PSDB. Pré-candidato ao governo do Ceará, ele tenta voltar ao comando do estado e negocia uma composição com o PL de Jair e do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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