Piora na inflação exigiria “variações abruptas” na Selic, diz ata do Copom

Em sua última reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) debateu trajetórias alternativas da inflação diante da deterioração do cenário. Após a análise, o colegiado avaliou que a piora inflacionária exigiria “variações abruptas” de direção e de grande magnitude na Selic.

“O Comitê debateu trajetórias alternativas, não presentes em quaisquer das expectativas e respostas, da Focus ou QPC (Questionário Pré-Copom), tampouco refletidas na precificação da política monetária pelos agentes de mercado, com convergência da inflação à meta no atual horizonte relevante, exigindo variações abruptas de direção e de grande  magnitude na Selic, seguida de diversos trimestres com inflação abaixo da meta”, diz o comunicado.

Na ata divulgada nesta terça-feira (23), o Copom informou que julgou as trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária como as mais apropriadas por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros.

“Em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028. Destacou-se que a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta”, diz a ata.

Apesar da piora no cenário inflacionário, a ata do Copom destacou que decidiu reduzir a Selic para 14,25% ao ano de olho “nas melhores práticas de política monetária”. No comunicado, o colegiado citou os choques de petróleo e os efeitos do El Niño na economia.

“O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”, diz.

Diante do cenário de expectativas desancoradas, o Banco Central sinalizou a necessidade de manter a taxa de juros em patamar elevado por mais tempo.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz o comunicado.

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