Israel captura castelo no sul do Líbano 26 anos após retirada militar

As forças armadas de Israel capturaram o Castelo de Beaufort, no sul do Líbano, um local que não controlavam há 26 anos, ampliando a incursão em território vizinho.

A captura do castelo, perto da cidade de Nabatiyeh e a cerca de 14,5 km da fronteira israelense, ocorreu após dias de combates na região.

“A operação tem como foco estabelecer o controle operacional da Cordilheira de Beaufort e da área de Wadi al-Saluki”, afirmou um comunicado das IDF (Forças de Defesa de Israel) neste domingo (31), acrescentando que busca desmantelar a infraestrutura do grupo libanês Hezbollah em ambas as áreas.

O castelo, construído pelos cruzados em um penhasco com vista para o rio Litani há cerca de 900 anos, é considerado há muito tempo um local estratégico no sul do Líbano e foi ocupado pelas forças israelenses em conflitos anteriores.

“A operação começou há vários dias, durante os quais um número significativo de soldados terrestres das Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram operações ofensivas com o objetivo de expandir a Linha de Defesa Avançada”, disseram as IDF.

“A partir de Beaufort Ridge, terroristas do Hezbollah gerenciavam atividades militares e de combate e realizavam inúmeros ataques”, acrescentou.

No sábado (30), a agência de notícias estatal libanesa NNA noticiou ataques aéreos israelenses e “bombardeios intensos” na área ao redor do castelo. O Hezbollah também afirmou ter destruído um tanque israelense perto da edificação.

Há três dias, a Prefeitura de Arnoun denunciou os bombardeios israelenses na região e pediu às organizações internacionais que protejessem o castelo, informou a NNA.

O Castelo de Beaufort foi descrito pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como “um dos exemplos mais bem preservados de castelos medievais no Oriente Próximo”.

Foi também um dos 34 bens culturais libaneses aos quais a Unesco concedeu proteção provisória reforçada — o nível mais alto de imunidade contra qualquer ataque ou uso para fins militares —, no final de 2024, após a invasão terrestre de Israel no Líbano.

O castelo foi palco de combates entre as forças armadas israelenses e a Organização para a Libertação da Palestina em 1982, quando Israel ocupou o sul do Líbano. Segundo a Unesco, a edificação sofreu “danos significativos” durante os 18 anos de ocupação, antes da retirada das forças israelenses em 2000.

Apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA e acordado entre os governos israelense e libanês em abril, os confrontos entre o Hezbollah e as forças israelenses se intensificaram.

Nos últimos dias, Israel expandiu suas operações, avançando mais profundamente em território libanês, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou na sexta-feira (29) que as forças israelenses cruzaram o rio Litani, que fica a cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira de Israel.

Em comunicado divulgado no domingo, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter “expandido suas operações contra alvos do Hezbollah ao norte do rio” e em “áreas adicionais”.

A intensificação dos combates entre Israel e o Hezbollah pode colocar em risco qualquer acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que insiste em incluir um cessar-fogo no Líbano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a Netanyahu na semana passada que apoiava a “liberdade de ação contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”, afirmou uma autoridade israelense à CNN.

* Com informações da Reuters

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