Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, assinaram uma declaração conjunta de 9.935 palavras, nesta quarta-feira (20), que abordou temas como segurança nuclear, Taiwan e até mesmo tigres-de-amur, pandas-gigantes e macacos-nariz-arrebitado-dourados, juntamente com uma declaração conjunta mais curta.
Outros 20 acordos, que variam de normas sanitárias e notícias de Estado à energia nuclear, também foram assinados. Até o momento da redação deste texto, nenhum acordo maior entre Moscou e Pequim havia sido firmado.
A Rússia espera alimentar seu principal modelo de IA, o GigaChat, com chips fabricados na China, afirmou o CEO do Sberbank, German Gref, enquanto as sanções ocidentais continuam a bloquear o acesso da Rússia a hardware avançado no exterior.
O Kremlin afirmou que um entendimento geral com a China sobre o gasoduto conjunto Força da Sibéria 2 foi alcançado, mas detalhes importantes e um cronograma para o vasto projeto ainda precisam ser definidos.
Os países negociam há anos sobre o gasoduto, que levaria gás da Sibéria, região central da produção de gás natural da Rússia, para a China, passando pela Mongólia. No entanto, questões como preços e outros detalhes ainda não foram definidas.
Xi Jinping recebe Vladimir Putin em Pequim menos de uma semana depois de se reunir com Trump na China. A viagem marca a 25ª vez em que o líder do Kremlin visita seu aliado em mais de duas décadas no poder.
Segundo autoridades russas, Putin e Xi discutiriam temas como a guerra no Oriente Médio, a situação na Ucrânia, cooperação energética, comércio bilateral e a construção de uma “ordem mundial multipolar”, menos dependente da influência americana.
O assessor do Kremlin, Yury Ushakov, afirmou que os dois líderes divulgariam uma declaração conjunta defendendo um “novo tipo de relações internacionais” e o fortalecimento de um sistema internacional não dominado pelos EUA.
Eles também disseram que os planos de Trump para o escudo antimíssil Domo Dourado ameaçam a estabilidade estratégica e que Washington foi irresponsável ao não trabalhar em um substituto para um tratado nuclear histórico.