Brasil é “totalmente preparado para atender às exigências da UE”, diz JBS

“Vemos o Brasil totalmente preparado para atender às exigências europeias. As exportações não foram suspensas e estamos muito confiantes de que o Brasil chegará a um acordo com a União Europeia”, disse o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante teleconferência de resultados nesta quarta-feira (13). 

A União Europeia divulgou nesta terça-feira (12) a decisão do bloco de retirar o país da lista de exportadores aptos a enviar produtos de origem animal, como carnes, ao mercado europeu.

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No mesmo evento, o CFO global e diretor de relações com investidores da JBS, Guilherme Cavalcanti, afirmou que “o mercado pode ficar entre 1% e 1,5% pior do que no ano passado”.

Carne no Brasil

No Brasil, Tomazoni relacionou a alta recente do preço do gado às cotas de exportação para a China. “Todos os players do mercado tentam produzir o máximo possível para alcançar uma participação nessa cota”, afirmou.

Segundo o executivo, os preços começaram a cair nas últimas semanas e a expectativa é de novas acomodações após o preenchimento da cota chinesa, o que a companhia acredita que possa ocorrer até o fim de junho.

“Quando a cota for atingida, o preço do gado deve cair para acomodar e entender onde o Brasil colocará 100 mil toneladas por mês. Vemos isso como algo normal”, disse.

A JBS afirmou ainda que, mesmo com preços mais elevados do gado e da carne no Brasil, a demanda segue forte. A empresa avalia que uma eventual queda nos preços após o fim das cotas poderá favorecer as vendas no mercado doméstico.

Tomazoni também afirmou que a companhia está preparada para destinar a produção a outros consumidores e administrar estoques.

Diversificação geográfica 

Os executivos da companhia destacaram a estratégia de diversificação geográfica e de proteínas como forma de reduzir impactos dos ciclos do setor. “Se tivéssemos apenas carne bovina nos EUA, estaríamos em uma situação complicada, mas temos diversificação”, afirmou Tomazoni. Segundo ele, esses ciclos são considerados normais para o negócio.

Sobre os impactos da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, o executivo disse que houve aumento nos custos logísticos devido ao uso de caminhões. “Mas a demanda em volume continua forte, e o custo extra acaba sendo absorvido pelo mercado”, afirmou.

Sobre uma possível redução das tarifas de importação de carne bovina por parte dos Estados Unidos, Cavalcanti afirmou que a medida poderia complementar o abastecimento do mercado norte-americano, especialmente em produtos premium. 

Segundo ele, os consumidores dos EUA priorizam carne de maior marmoreio e gado mais pesado.

“A parte mais premium seria complementar, e não é o que estamos focados em produzir nos EUA neste momento”, afirmou o executivo. 

A companhia informou ainda que a demanda permanece forte nos principais mercados atendidos pela operação australiana da JBS, como Japão e Estados Unidos. Segundo a empresa, a Austrália está bem posicionada para atender ao crescimento da demanda global e vive o melhor cenário climático dos últimos três anos.

Na área de fusões e aquisições, Tomazoni disse que a empresa segue avaliando oportunidades, mas mantém o foco em geração de caixa. “Faz parte da nossa rotina olhar constantemente para oportunidades de M&A [fusões e aquisições], mas neste momento estamos focados em geração de caixa”, afirmou.

Segundo ele, a companhia iniciou recentemente projetos no Paraguai e em Omã, mas “não temos novos projetos no pipeline neste momento”.

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