Sem cravar próximo passo, BC defende juro restritivo e alerta para fiscal

O Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que a inflação permanece pressionada pela demanda, o que exige uma manutenção a política monetária em um caráter restritivo. Em comunicado, o colegiado evitou sinalizar qual será o seu próximo passo e disse que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida “à luz da evolução do cenário”.

A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) foi divulgada na manhã desta terça-feira (22). Na última reunião, o comitê reduziu a Selic a 13,75% ao ano.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o documento.

No comunicado, o Copom reafirmou que o arrefecimento de esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia.

A taxa de juros neutra é referência para as outras instituições financeiras do país definirem os valores que negociam o dinheiro que emprestam. Dessa forma, quanto mais elevada for a taxa de juros neutra, mais alta precisa ser colocada a Selic para controlar os preços.

“Choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem”, diz a ata.

Em relação ao cenário doméstico, o colegiado ressaltou a moderação gradual da atividade econômica. No 2º trimestre de 2026, o PIB perdeu fôlego, com avanço de 0,5% ante os três meses anteriores.

Já sobre o cenário externo, o Banco Central voltou a afirmar que a continuidade do conflito no Oriente exige cautela por parte de países emergentes diante da elevação da volatilidade de preços dos ativos
e commodities.

A taxa básica de juros é a principal ferramenta do Banco Central para assegurar o cumprimento da meta de inflação. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência.

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