Wall Street cai com dados do mercado de trabalho e preocupações com IA

As ações americanas caíram nesta quinta-feira (5), dando continuidade a um recente período de volatilidade, enquanto Wall Street lida com a persistente preocupação em relação à inteligência artificial (IA) e dados econômicos mostram um enfraquecimento do mercado de trabalho nos últimos dois meses.

O Dow Jones fechou em queda de 1,20%, a 48.908 pontos. O S&P 500 também recuou 1,20%, a 6.799 pontos, e o Nasdaq, com forte presença de empresas de tecnologia, caiu 1,59%, terminando o dia aos 22.540 pontos.

O Nasdaq registrou a pior queda em três dias desde abril, enquanto os investidores avaliam o impacto da IA ​​na indústria de software. O Nasdaq acumula queda de aproximadamente 6% em relação à máxima histórica, atingida em outubro. Um fundo negociado em bolsa (ETF) que acompanha o setor de software caiu 4,97% nesta quinta-feira (5) e acumula oito sessões consecutivas de queda.

“O gatilho de curto prazo foi o lançamento da Anthropic, à medida que a IA reduz a necessidade de programadores e impacta o fluxo de receita de diversas empresas”, apontou Mohit Kumar, estrategista da Jefferies, em nota.

“Atualmente, o mercado está em uma fase de agir impulsivamente e questionar depois”, disse Kumar. “Também há preocupações em relação às empresas de private equity e crédito privado, dada a exposição ao setor”.

As ações da Blue Owl, uma empresa de crédito privado com alguns investimentos em empresas de software, caíram mais de 3% e acumulam 11 sessões de negociação consecutivas em queda.

Embora o impacto da IA ​​no software esteja em foco, Wall Street está em plena temporada de balanços corporativos, e também persistem incertezas sobre o quão lucrativas serão as apostas das grandes empresas de tecnologia no boom da IA.

As ações da Microsoft despencaram 4,95% e fecharam em baixa em cinco das últimas seis sessões, após a gigante da tecnologia divulgar os resultados há uma semana.

As ações da Alphabet caíram 0,6% após a empresa divulgar os resultados financeiros e apresentar planos para aumentar os investimentos em data centers e projetos relacionados à inteligência artificial.

O clima de aversão ao risco também afetou as criptomoedas. O Bitcoin caiu cerca de 14% nas últimas 24 horas e despencou para menos de US$ 63.000, atingindo o menor nível em 15 meses. O Bitcoin acumula queda de aproximadamente 50% desde que atingiu a máxima histórica acima de US$ 126.000 em outubro e agora apagou todos os ganhos desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca.

O ouro, geralmente considerado um porto seguro em meio à incerteza, caiu 2,6%. A prata despencou 14%, dando continuidade a um recente período de volatilidade extraordinária.

“Quando você vê esse tipo de queda é doloroso, mas, de certa forma, é o resultado natural da especulação hiperagressiva”, apontou Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, à CNN.

As ações ampliaram as perdas na manhã de quinta-feira (5), após dois relatórios econômicos distintos mostrarem um quadro de mercado de trabalho frágil. Os títulos do Tesouro dos EUA se valorizaram, pressionando os rendimentos para baixo.

O relatório JOLTS mostrou que as vagas de emprego em dezembro caíram para o nível mais baixo desde 2020, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos.

O mercado de ações se beneficiou nas últimas semanas de uma “rotação de investimentos”, ou seja, investidores buscando oportunidades em setores fora do setor de tecnologia. Mas o relatório JOLTS divulgado nesta quinta (5), que deveria ter sido publicado na terça (3) e foi adiado por conta do shutdown do governo que durou de sábado 931) ao fim da própria terça (3), reverberou pelos mercados, colocando mais ações em desvantagem. Mais de 60% das ações do S&P 500 fecharam em baixa.

“Estávamos nos beneficiando dessa rotação de carteiras, baseada na ideia de que as pessoas estavam preferindo ações mais sensíveis à economia. E, agora, fomos surpreendidos, sem trocadilho, por notícias econômicas ruins”, disse Sosnick, da Interactive Brokers.

Esses dados econômicos mais fracos do que o esperado vieram logo após a divulgação de dados da Challenger, Gray & Christmas, que mostraram que janeiro foi o pior em anúncios de cortes de empregos desde 2009.

O índice de medo de Wall Street, o VIX, subiu 17% e ultrapassou os 20 pontos, um patamar que sinaliza alta volatilidade nos mercados. O Índice de Medo e Ganância da CNN oscilou na faixa do “medo”.

Os dados surgem em um momento em que os investidores aguardam o relatório de empregos de janeiro, que estava previsto para sexta-feira (6) e que também foi adiado devido à paralisação parcial do governo e deve ser divulgado na semana que vem.

“Com o relatório de empregos adiado para a próxima semana, a incerteza em relação ao cenário trabalhista está contribuindo para o tom cauteloso de hoje”, sinalizou Seana Smith, estrategista sênior de investimentos da Global X ETFs, à CNN.

*Matt Egan, da CNN, contribuiu com esta matéria

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