Segundo Trump, “esse petróleo é meu”, disse ele à Venezuela — e, pelo visto, também os navios que o transportam. Os Estados Unidos apreenderam, nesta quarta-feira (7), um petroleiro que fugia da Guarda Costeira americana desde a semana passada, com a tripulação acreditando estar protegida pelo fato de o navio agora ostentar a bandeira da Rússia.
Os russos classificaram a ação como pura pirataria, após comandos americanos desembarcarem de um helicóptero e tomarem o controle da embarcação. Trump afirmou que a apreensão de petroleiros faz parte de um plano mais ambicioso, já comunicado à Venezuela, que prevê a entrega aos Estados Unidos do equivalente a cerca de dois meses de produção de petróleo, o envio de técnicos e consultores de países como Rússia, China e Irã de volta aos seus países de origem e o pagamento imediato de uma indenização bilionária às petrolíferas americanas expulsas pelo chavismo há mais de vinte anos.
Segundo Trump, o dinheiro do petróleo deverá ser usado pela Venezuela exclusivamente para importar produtos americanos. Em troca, Washington promete ajudar a estabilizar a economia do país e, eventualmente, avançar para uma terceira fase, que incluiria novas eleições.
Como ensinavam os clássicos das escolas de estratégia, nenhum plano resiste ao primeiro contato com a realidade: há uma diferença entre ordenar que a Venezuela faça determinadas coisas e conseguir controlar o processo político em um país desse porte. Ações militares podem ser um começo, mas o fator decisivo é sempre a situação política posterior, que raramente corresponde ao que foi planejado.