A Comissão Europeia realizou uma reunião crucial nesta quarta-feira (7) para dissipar as preocupações de alguns países membros sobre o acordo de livre comércio com o Mercosul, que vem sendo negociado há 25 anos.
Em entrevista ao CNN Money, Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional e ex-coordenador nacional do Mercosul, disse que tudo indica que o acordo será aprovado e assinado por Ursula von der Leyen na próxima segunda-feira (12).
“A Itália estaria propensa a mudar de posição. Então, apesar da oposição da França, esse acordo deve ser votado amanhã (9) e tudo indica que vai ser aprovado pela União Europeia. A informação que nós temos é que a presidente do Conselho Europeu deverá viajar para o Paraguai para assinar o acordo na segunda-feira”, afirmou Barbosa.
A França continua se opondo fortemente ao acordo, com agricultores franceses bloqueando estradas de acesso a Paris em protesto.
No entanto, para viabilizar a aprovação, a Comissão Europeia propôs disponibilizar 45 milhões de euros em fundos para os agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco, além de outras medidas de simplificação e favorecimento aos viticultores.
Motivações geopolíticas e benefícios comerciais
De acordo com o especialista, a União Europeia se deu conta de que, por razões geopolíticas, é do interesse deles assinar esse acordo, que será o maior acordo de livre comércio entre continentes no mundo inteiro.
“Abre canais de exportação, sobretudo da Alemanha, da Inglaterra, da França, para o Brasil e para o Mercosul em geral”, explicou.
Para o Brasil, o acordo pode representar um incentivo para melhorar as condições de competitividade dos produtos brasileiros, segundo Barbosa.
Com a entrada em vigência do acordo, 90% dos produtos europeus entrarão com tarifa zero no Mercosul, o que exigirá do país medidas para reduzir o “custo Brasil” e aprovar reformas que favoreçam a competitividade.
Quanto aos benefícios para os consumidores brasileiros, Barbosa destacou que haverá uma importação maior de alimentos e produtos industriais europeus com preços mais baixos devido à eliminação de tarifas, o que estimulará o consumo.
“Vai incentivar empresas europeias a investirem no Brasil para produzirem aqui”, acrescentou.
O acordo deve entrar em vigência na segunda metade deste ano, após aprovação pelos parlamentos dos quatro países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu. Apesar das cotas de exportação para produtos agrícolas serem consideradas baixas, o especialista avalia que “o acordo vai funcionar e vai ser positivo para os dois lados”.