A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou que negou um pedido da PF (Polícia Federal) para acesso ao celular do empresário durante uma acareação realizada no fim de dezembro, no âmbito de um procedimento que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo o advogado Roberto Podval, a solicitação teria sido feita por uma delegada da PF após o encerramento da audiência, já em uma sala anexa. A defesa relata que Vorcaro e seus representantes não estavam com celulares durante a sessão.
“Acaba a audiência, nós chegamos na sala ao lado, e a senhora me pediu se eu poderia abrir o sigilo do celular do Vorcaro. Eu disse que não abriria”, afirmou Podval ao justificar a negativa à delegada Janaína Palazzo.
Ainda de acordo com a defesa, o pedido teria sido acompanhado da garantia de que o sigilo seria “absoluto”. No entanto, os advogados alegam que houve vazamentos pouco tempo depois.
A acareação teve o objetivo de confrontar versões e esclarecer eventuais divergências sobre suposta fraude de R$ 12,2 bilhões na operação de venda do Banco Master para o BRB. Veja na íntegra:
Contradições durante acareação
Também durante a acareação, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa se contradisseram sobre a origem de créditos podres adquiridos do Banco Master.
De acordo com Vorcaro, o BRB teria sido informado de que os créditos foram originados por uma empresa terceira, Tirreno. Já o presidente do Banco de Brasília disse acreditar que a origem dos valores havia sido do próprio Master.
Questionado pela delegada que conduzia a acareação, Vorcaro afirmou que chegou a conversar algumas vezes com Paulo Henrique de que o Master iniciaria um novo formato de comercialização, que seria de carteiras originadas por terceiros.
Ainda na acareação, o ex-presidente do BRB afirmou que, nos termos da negociação para a compra do Banco Master, estava prevista a saída do dono da instituição, Daniel Vorcaro, do controle societário..