Um tubarão que pode viver até 400 anos habitou as águas frias da Groenlândia e continua intrigando cientistas. Um estudo publicado na revista científica Nature Communications indica que o tubarão-da-Groenlândia mantém a visão preservada mesmo após séculos de vida.
A espécie é considerada o vertebrado mais longevo do mundo. Por muito tempo, pesquisadores acreditaram que esses animais eram cegos, já que frequentemente apresentam parasitas presos aos olhos e vivem em grandes profundidades, onde a luz é escassa.
A nova pesquisa, porém, sugere que a retina continua funcional ao longo da vida. Os cientistas identificaram um mecanismo eficiente de reparo de DNA, capaz de evitar a degeneração das células oculares. Também foi encontrada ativa a proteína rodopsina, responsável por permitir a visão em ambientes com pouca luminosidade.
Os animais analisados foram capturados entre 2020 e 2024 em expedições científicas ao largo da Ilha Disko, na Groenlândia, em pesquisas ligadas à Universidade de Copenhague. Os globos oculares foram preservados para exame em laboratório e, segundo os autores, têm tamanho semelhante ao de uma bola de beisebol.
A análise não encontrou sinais de morte celular na retina, indicando que a visão pode permanecer intacta mesmo em indivíduos extremamente antigos.
Os pesquisadores afirmam que o estudo pode ajudar a entender o envelhecimento e contribuir para o desenvolvimento de tratamentos contra doenças oculares em humanos, como degeneração macular e glaucoma.
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As pesquisas revelaram que as fêmeas (com 81 a 502 cm de comprimento total) possuem expectativa de vida de pelo menos 272 anos.
Outra curiosidade sobre a espécie é a sua maturidade sexual. Estudos apontam que os tubarões da Groenlândia conseguem procriar dos 22 aos 156 anos, aproximadamente.
No entanto, o tempo aumenta quanto maior for o tamanho do animal: com 502 cm, a idade pode variar dos 120 a 392 anos.