As recentes declarações de Donald Trump sobre a situação no Irã refletem a imprevisibilidade que caracteriza a política externa do presidente americano. A avaliação é do professor de Relações Internacionais da China Foreign Affairs, Marcus Vinícius de Freitas, em entrevista à CNN Brasil.
Trump afirmou que “não há planos para execuções” no Irã e que a “matança está parando”, declarações que geram dúvidas sobre qual posicionamento os Estados Unidos adotarão em relação ao regime iraniano. Segundo Freitas, é difícil interpretar as falas de Trump devido ao seu histórico de inconsistência em negociações internacionais.
“O que nós aprendemos ao longo deste tempo de presidência de Trump é que você tem um sistema muito instável naquilo que ele diz e naquilo que efetivamente ele aplica. Muitas vezes ele fala e muda de opinião ao final. E, por muitas vezes, atuação dele não é consistente e não faz com que você tenha plena segurança de que aquilo que ele prometeu vai ser cumprido”, explicou o professor.
Histórico de imprevisibilidade
O especialista citou exemplos de negociações anteriores conduzidas por Trump, como as tratativas comerciais com a China e as negociações nucleares com o próprio Irã, para demonstrar o comportamento do político americano. “É uma característica de Trump o imprevisível. Ele mesmo disse que não pode se tornar previsível em ações militares”, destacou Freitas.
Sobre a fragilidade do regime iraniano, o professor ressaltou que o país sofre sanções internacionais há quatro décadas, enfrenta problemas econômicos graves e perseguição política interna. Contudo, alertou que intervenções externas podem, paradoxalmente, fortalecer regimes autoritários.
“O grande medo em todo esse aspecto é de nós observarmos uma infiltração externa que leve o Irã a se transformar numa nova Líbia ou numa Síria”, advertiu o professor, lembrando que ações externas podem fazer com que a população, mesmo sob um regime ruim, prefira manter o status quo a enfrentar um futuro incerto.
Freitas concluiu que, embora o regime iraniano seja fraco e enfrente problemas internos significativos, a atuação externa pode servir para fortalecê-lo em momentos de crise. “O grande desafio é que este tipo de ação faz com que a população que conhece um regime ruim, possa ainda assim entender que é melhor o que você tem agora do que aquilo que pode vir depois”, finalizou.