Trump cria tensão com europeus para desviar foco de Epstein, diz professor

O tensionamento constante com os europeus é parte de uma estratégia de Donald Trump para desviar o foco do caso de Jeffrey Epstein, disse Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, ao WW.

Os arquivos sobre o empresário acusado de tráfico sexual se tornaram um escândalo dentro do segundo governo Trump. Eleito com promessas de divulgar os documentos, Trump foi, aos poucos, recuando e criticando a cobertura – inclusive de aliados – sobre o tema.

Depois de uma derrota no Congresso, ele assinou a lei que liberou os arquivos – mas seu Departamento de Justiça revelou apenas uma parcela deles.

O comportamento de Trump na situação não foi bem visto. “O caso Epstein estava chegando muito próximo a ele e afetando sua base MAGA (Make America Great Again)”, explica Gunther.

Segundo pesquisa da YouGov realizada em dezembro de 2025, menos da metade da base MAGA apoiava fortemente a condução de Trump sobre o caso. Olhando para o país todo, 55% dos americanos desaprovavam fortemente a maneira como o presidente americano lida com as investigações.

As tensões com a Europa também são uma tentativa de Trump garantir concessões da União Europeia. Dentre estas, poderiam estar uma redução de barreiras comerciais para produtos americanos na UE, ou um aumento de gastos militares pelo bloco.

Desde o seu retorno à Casa Branca, o republicano realizou fortes críticas às lideranças do bloco. Ele já descreveu o continente como “velho e fraco” e, no documento de Estratégia Nacional de Segurança, disse que o local corre risco de sofrer um “apagamento de civilização” causado pela imigração.

Além disso, ameaçou invadir a Groenlândia – território autônomo da Dinamarca – e escanteou os parceiros durante grande parte das negociações pela paz na Guerra da Ucrânia. Na última sexta (25), delegações americanas, russas e ucranianas se reuniram pela primeira vez para debater um plano de paz para o conflito.

A discussão não contou com a presença dos europeus e seguiu com um impasse territorial para a Ucrânia.

“Ele é um árbitro nada isento, é a favor de Putin, a reunião no Alasca… Mas, ao mesmo tempo, no discurso em relação à Groenlândia, ele coloca a Rússia como uma ameaça à segurança nacional dos EUA”, aponta Gunther durante o WW.

Essa dualidade no discurso, segundo o professor, é uma marca de Trump – que tem na incerteza uma marca na sua condução política. “Ele é completamente imprevisível, completamente irracional, dentro do que se sempre estabeleceu como um pensamento estratégico dos EUA diante dos principais adversários”, afirmou.

“Ele joga para tudo quanto é lado para ver o que vai dar e o que ele pode ganhar com isso internamente”, concluiu Gunther.

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