SP: Defesa de PMs acusados por morte de Gritzbach contesta perícia

Pouco antes do júri popular dos policiais militares acusados de participação na morte de Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), em 2024, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues protocolaram um parecer técnico contestando a perícia e a confiabilidade das provas genéticas obtidas durante o processo.

O julgamento dos PMs Fernando Genauro da Silva, Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues está previsto para acontecer entre os dias 22 e 26 de junho, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo.

De acordo com o documento, obtido pela CNN Brasil, houve falhas procedimentais no laudo pericial realizado no veículo VW Gol — usado pelos executores no dia do crime, sob a ótica do relatório final da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos. O carro, encontrado abandonado próximo ao aeroporto, foi preservado e periciado no local.

Defesa aponta irregularidades

Segundo a defesa dos policiais, os procedimentos foram realizados de maneira irregular, uma vez que o veículo não encontrava-se preservado corretamente para coleta de material genético, inclusive contendo um vidro quebrado.

Ainda assim, foi submetido a reagentes químicos para coleta de impressões digitais antes mesmo da coleta de material genético para exame de DNA. Para os advogados, a ação interfere na obtenção e análise do material, pois contamina o ambiente com produto diverso, podendo, inclusive, prejudicar o resultado.

Também foi pontuado pela defesa que a realização da coleta de vestígios papilares feita antes da coleta de vestígios biológicos viola diretamente as recomendações do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Manipulação de provas e contradições

O documento sugere a possível manipulação do veículo antes da chegada dos peritos, além da alteração do local onde o colete balístico foi fotografado, o que indicaria que o carro foi movido antes de ser lacrado.

Segundo a defesa, ainda houve o risco de contaminação das evidências genéticas, já que peças de vestuário e objetos de diferentes locais teriam sido acondicionados em lacres únicos. Além disso, foram juntadas ao processo supostas contradições nos laudos oficiais, o que poderia prejudicar a conclusão final, e a ausência da assinatura de um perito revisor.

O parecer contesta a validade da prova pericial e as demais ações realizadas ao longo do caso. A defesa sustenta que a confiabilidade das evidências foi comprometida pelas falhas apontadas e que a realização de uma contraprova se tornou impossível.

À CNN Brasil, a defesa dos réus Ruan Silva Rodrigues e Denis Antonio Martins, afirmou que “o Parecer Técnico comprova, de forma científica e inequívoca, os graves erros cometidos durante a fase de investigação, falhas que resultaram na indevida acusação de pessoas inocentes”.

Morte do delator

Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024, após um acordo de delação premiada com o Ministério Público, o qual fornecia informações de esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e imóveis de integrantes da facção.

Ele também teria indicado policiais militares e civis suspeitos de extorquir criminosos. A motivação do crime, segundo a polícia, estaria ligada a vingança e disputas financeiras envolvendo lavagem de dinheiro e criptomoedas.

Os policiais militares Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues, foram identificados como os atiradores; e Fernando Genauro da Silva, foi denunciado como motorista do automóvel utilizado na execução de Gritzbach.

Eles foram pronunciados e irão a júri popular em 22 de junho. Ao todo, 18 PMs tornaram-se réus — 14 deles seguem presos no Presídio Militar Romão Gomes.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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