A produção de sorgo forrageiro tem ganhado espaço no Brasil pela expansão da pecuária e pela busca por culturas mais tolerantes ao estresse hídrico. Utilizado principalmente na alimentação de bovinos, na forma de forragem e silagem, o cereal também pode servir à produção de biogás e à cogeração de energia. Nesse contexto, a Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Latina Seeds, lança no mercado o híbrido de sorgo forrageiro gigante BRS 662, que será comercializado sob o nome LAS6002F.
O lançamento oficial está previsto para 11 de março de 2026, durante a programação de aniversário de 50 anos da unidade da Embrapa em Minas Gerais.
De acordo com informações técnicas divulgadas pelas instituições, o híbrido apresenta ciclo de até 125 dias e potencial produtivo superior a 80 toneladas de forragem por hectare em corte único. O material também possui capacidade de rebrota estimada em até 60% da produção inicial.
O cultivar é indicado para cultivo na primeira e na segunda safra e pode atingir de 4 a 5 metros de altura. Segundo os desenvolvedores, o híbrido apresenta tolerância a doenças fúngicas como antracnose, helmintosporiose e cercosporiose, consideradas relevantes para a cultura no país.
Vários usos
A forragem produzida apresenta elevados teores de celulose e hemicelulose e baixos níveis de lignina, características associadas à digestibilidade na alimentação animal. Além do uso pecuário, o material pode ser destinado à produção de energia a partir de biomassa.
A recomendação de cultivo abrange estados do Centro-Oeste — Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — e do Sudeste — Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
O potencial de mercado está diretamente ligado ao tamanho do rebanho bovino brasileiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui mais de 238 milhões de cabeças de gado. Apesar disso, não há levantamento específico sobre o volume de sorgo forrageiro consumido nacionalmente.
Para a safra 2026, foram produzidas 10 mil sacas de sementes do novo híbrido, distribuídas em diferentes regiões do Brasil e também exportadas ao Paraguai. A comercialização é feita em embalagens com 150 mil sementes, com recomendação de plantio entre 120 mil e 130 mil sementes por hectare.