O Kremlin disse nesta terça-feira (14) que reconhece o desejo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de se concentrar na busca de um acordo de paz para acabar com a guerra na Ucrânia.
A afirmação ocorre após Trump conseguir estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Desse modo, a Rússia espera que ele possa pressionar Kiev em direção a um acordo.
Ao discursar no Parlamento israelense na segunda-feira (13), Trump falou sobre o desejo de fechar um acordo com o Irã sobre seu programa nuclear, mas disse que primeiro voltaria sua atenção para tentar acabar com a guerra na Ucrânia.
“Primeiro, temos que resolver a questão da Rússia. Temos que resolver esse problema. Se você não se importa, Steve, vamos nos concentrar na Rússia primeiro”, disse Trump, dirigindo-se a Steve Witkoff, seu enviado especial que já conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, no passado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia continua aberta a conversas de paz.
“Certamente saudamos essas intenções e a confirmação da vontade política de fazer todo o possível para promover a busca de soluções pacíficas”, disse Peskov, quando perguntado sobre os comentários de Trump.
“Já estamos bem familiarizados com o sr. Witkoff; ele é eficaz, provou sua eficácia agora no Oriente Médio e esperamos que seus talentos continuem a contribuir para o trabalho já em andamento na Ucrânia.”
A Rússia acusa a Ucrânia de atrasar as negociações e de não concretizar a ideia de criar grupos de especialistas para considerar possíveis aspectos de um acordo.
Já a Ucrânia acusa Moscou de não levar a sério um acordo e de apresentar condições que equivalem a pedir que ela se renda.
“O lado russo continua aberto e pronto para o diálogo pacífico, e esperamos que a influência dos EUA e as habilidades diplomáticas dos enviados do presidente Trump ajudem a incentivar o lado ucraniano a ser mais ativo e mais disposto a se envolver no processo de paz”, declarou Peskov.
Peskov disse que o diálogo com os EUA sobre a Ucrânia foi paralisado, enquanto Trump falou sobre a possibilidade de fornecer à Ucrânia mísseis Tomahawk, algo que Moscou deixou claro que consideraria uma escalada perigosa.