Rússia alerta que fim de acordo nuclear pode prejudicar segurança global

Às vésperas do fim do tratado nuclear entre Rússia e Estados Unidos, o Kremlin afirmou nesta terça-feira (3) que abandonar os limites impostos aos arsenais estratégicos seria prejudicial para a segurança global.

A menos que os países cheguem a um entendimento bilateral de última hora, o acordo assinado em 2010 — o New Start — pelo ex-presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo ex-líder da Rússia, Dmitry Medvedev, vai expirar em 5 de fevereiro.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse que a proposta de Moscou para continuar observando os limites do tratado em relação a mísseis, lançadores e ogivas por mais um ano ainda está em discussão, mas os Estados Unidos ainda não se manifestaram.

Caso os dois lados não consigam chegar a um acordo para manter os limites de mísseis e ogivas, ficarão, pela primeira vez em mais de meio século, sem restrições mútuas quanto ao tamanho de seus arsenais estratégicos – as armas que usariam para atacar as capitais, bases militares e centros industriais um do outro em caso de guerra nuclear.

Mesmo no auge da rivalidade nuclear da Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética negociaram uma série de tratados para evitar que a corrida armamentista saísse do controle.

Embora concordassem em poucos outros pontos, os líderes de Moscou e Washington viam valor nas negociações – de 1969 até muito depois do colapso soviético em 1991 – para criar uma estrutura estável e previsível que limitasse o tamanho de seus arsenais nucleares.

Em setembro de 2025, o presidente russo Vladimir Putin propôs que ambas as partes concordassem em estender por mais 12 meses o cumprimento dos limites do Novo START, que restringem o número de ogivas nucleares implantadas a 1.550 de cada lado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não apresentou uma resposta formal, e analistas de segurança ocidentais estão divididos sobre a sensatez de aceitar a oferta de Putin.

Por um lado, isso daria tempo para traçar um caminho a seguir, ao mesmo tempo que enviaria um sinal político de que ambos os lados querem preservar um vestígio de controle de armas.

Por outro lado, isso permitiria que a Rússia continuasse desenvolvendo sistemas de armas fora do escopo do Novo START, incluindo seu míssil de cruzeiro Burevestnik e o torpedo Poseidon.

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