A ex-campeã do UFC Ronda Rousey afirmou que uma luta contra Gina Carano poderia ter acontecido no UFC em um evento de pay-per-view, mas disse que o confronto “não estava destinado a acontecer”.
Mesmo assim, Rousey não poupou críticas à TKO Group Holdings, empresa pública que atualmente controla o Ultimate Fighting Championship (UFC).
Rousey e Carano participaram de uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (10) para promover a luta de MMA que farão no dia 16 de maio, em Inglewood, na Califórnia. O combate será organizado pela promotora Most Valuable Promotions, do influenciador e lutador Jake Paul, e transmitido pela Netflix.
Rousey deixou o UFC após 2016 e agora retorna ao MMA depois de um período na WWE e de uma breve aposentadoria.
Segundo a lutadora, ela chegou a sugerir ao presidente do UFC, Dana White, que a luta contra Carano fosse realizada como o último evento de pay-per-view antes de a organização migrar para um novo acordo de streaming com a Paramount. White teria sugerido a data de 1º de janeiro, mas Carano afirmou que precisaria de mais tempo para atingir a melhor condição física.
“Eu acho que foi o destino. Era para acontecer. Era para nos empurrar para o outro lado”, disse Rousey.
Críticas à nova gestão
Durante a coletiva, Rousey direcionou críticas aos novos proprietários do UFC, afirmando que eles “precisam ser salvos de si mesmos” e criticando os baixos salários pagos à maioria dos lutadores da organização.
A ex-campeã também afirmou que Dana White estaria “legalmente comprometido com os acionistas e com a maximização do valor para eles”, acrescentando que a TKO teria “tirado dele o controle da empresa”.
“Antes, o UFC era o melhor lugar nos esportes de combate para ganhar a vida e ser pago de forma justa. Agora não é mais, é um dos piores lugares para se ir”, afirmou.
Salários dos lutadores
Rousey disse que muitos atletas de alto nível estariam deixando a organização em busca de melhores salários em outros esportes.
“É por isso que tantos atletas de ponta estão saindo para procurar pagamento em outro lugar. É por isso que campeãs como Valentina Shevchenko estão vendendo fotos no OnlyFans”, disse.
Segundo ela, muitos lutadores que estão no início da carreira no UFC têm dificuldades financeiras.
“Muitos deles, no nível mais básico, não conseguem nem sustentar suas famílias. Estão vivendo praticamente na linha da pobreza, lutando em tempo integral”, afirmou.
Novo contrato bilionário
O UFC firmou recentemente um acordo de sete anos avaliado em US$ 7,7 bilhões (aproximadamente R$ 40 bilhões) com a Paramount pelos direitos de transmissão ao vivo, valor que Rousey citou ao defender melhores pagamentos aos atletas.
“Essa empresa acabou de receber US$ 7,7 bilhões (aproximadamente R$ 40 bilhões). Não há motivo para não pagar aos atletas ao menos um salário digno, ou pelo menos algo comparável ao que atletas ganham em outros esportes”, disse.
“Por que os melhores jovens talentos escolheriam o MMA? Por que não ir para o boxe, para o futebol ou para qualquer outra coisa? Eles estão perdendo talentos por causa da ganância de curto prazo. Estão pensando no próximo trimestre e nos acionistas, não na responsabilidade de cuidar do futuro do esporte.”
Carreiras
Hoje com 39 anos, Rousey venceu suas primeiras 12 lutas no MMA e foi campeã peso-galo do UFC antes de sofrer derrotas para Holly Holm e Amanda Nunes em seus dois últimos combates na organização.
Carano, de 43 anos, tem cartel de 7 vitórias e 1 derrota no MMA e não luta desde 2009.