Um menino de 10 anos foi atingido por um disparo de arma de fogo enquanto estava dentro de uma escola no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio, no final da manhã desta quarta-feira (26).
Segundo o secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, a criança foi ferida na perna e será transferida para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Uma ambulância foi acionada para o atendimento inicial. O quadro de saúde é considerado estável.
De acordo com as primeiras informações, a escola onde o aluno foi atingido fica ao lado do 22º BPM (Maré).
O ferimento aconteceu durante uma operação emergencial da Polícia Civil na região, que provocou uma intensa troca de tiros. A ação é realizada por agentes da Ssinte (Subsecretaria de Inteligência) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), após informações apontarem a movimentação de criminosos armados na Vila do João, em meio a uma disputa por território entre facções rivais.
O levantamento do Instituto Fogo Cruzado apontou que 16 crianças foram baleadas na Região Metropolitana do Rio em 2025. Deste total, três morreram e 13 ficaram feridas. O instituto considera como criança pessoas de 0 a 11 anos, conforme definição do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Duas balas chegaram a atravessar o prédio da Faculdade de Matemática da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), no Campus do Fundão, durante o tiroteio registrado na região nesta quarta.
Alunos encontraram os projéteis no interior da unidade, registraram imagens e compartilharam as fotos nas redes sociais. A instituição suspendeu atividades presenciais ao longo do dia como medida de segurança
Como consequência do confronto, quatro unidades de saúde foram fechadas e aulas foram suspensas em diferentes pontos da região. A Fiocruz orientou a permanência de servidores e estudantes dentro dos prédios do Campus Maré, recomendou que não houvesse circulação entre os campi de Manguinhos e Maré e interrompeu as rotas dos ônibus circulares.
A CDDHC (Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania da Alerj) informou que acompanha a operação. Em nota, a presidente da comissão, deputada Dani Monteiro (PSOL), destacou os impactos da ação armada sobre a população local, mencionando o fechamento de serviços essenciais, a suspensão de atividades acadêmicas e o risco enfrentado por moradores, estudantes e trabalhadores.
A operação segue em andamento no Complexo da Maré.