Valentin Vacherot, 26, protagonizou uma das maiores zebras do Masters 1000 de Xangai.
Chegando ao torneio como 204º no ranking, ele derrotou Holger Rune, 10º cabeça de chave, nesta quinta (9).
Ele se tornou o segundo tenista de ranking mais baixo a chegar a uma semifinal de Masters 1000 e agora enfrenta Novak Djokovic, o homem com mais Grand Slams na história do tênis e que também quebrou recordes no torneio da China.
Tenista pode enfrentar primo na final
Nascido em Mônaco, Vacherot pode ter um desafio familiar caso vença Djokovic: enfrentar o primo, o francês Arthur Rinderknech, na final.
Ele estava presente no jogo de hoje, apoiando o parente ao lado do irmão de Vacherot, Benjamin Balleret, que já jogou em Grand Slams no começo do século e hoje treina o monegasco.
Rinderknech ainda disputa as quartas de final, enfrentando o canadense Felix Auger-Aliassime nesta sexta-feira (10).
Nas semis, um deles vai encarar o vencedor de Medvedev x De Minaur, que acontece poucas horas depois.
Quem é Valentin Vacherot?
Além de dividir as quadras, Rinderknech e Vacherot também dividiram a universidade. Os dois estudaram na A&M, no Texas.
Os primos, que se mudaram para os Estados Unidos em 2014 e 2017, viveram juntos por dois anos e compartilharam a rotina universitária no tênis.
“Eu disse que ele deveria me seguir, o recrutei”, disse o francês ao site Le Journal de Saône-et-Loire.
Antes de Xangai, o melhor momento da carreira profissional de Vacherot tinha acontecido no começo de 2024, com 16 vitórias em 17 partidas nos dois primeiros meses da temporada.
Com isso, ele conquistou os três títulos mais importantes de sua carreira em simples: dois torneios Challenger 75 em Nonthaburi, na Tailândia, e o Challenger 100 de Pune, na Índia.
Com um bom desempenho no saibro, o tenista continuou somando pontos importantes para o ranking da ATP durante a primavera do Hemisfério Norte.
Ele chegou à semifinal no Challenger de Aix-en-Provence, avançou do qualifying para a primeira rodada de Roland Garros e ainda venceu um set contra Alejandro Davidovich Fokina na estreia do Grand Slam.
Esses resultados o levaram à 110ª colocação do ranking mundial, melhor de sua carreira até aqui.
“Sumiço” após lesão
O bom momento de Vacherot foi interrompido por uma lesão no ombro, que o afastou das quadras por vários meses e praticamente o tirou da segunda metade da temporada.
Ele ainda tentou competir no US Open de 2024, mas acabou abandonando a partida ao voltar a sentir dores.
“Quando penso nos momentos difíceis do ano passado e deste ano, fico muito emocionado. Ficar seis meses parado foi muito duro”, declarou Vacherot após vencer Tallon Griekspoor nas oitavas de final em Xangai.
“Também sofri uma queda feia em Wimbledon este ano, então encaro tudo isso como uma recompensa pelo que enfrentei. Essa vitória realmente me toca. Estou vivendo duas semanas incríveis.”
Animado para enfrentar Djoko
Classificado a partir do qualifying, Vacherot chegou a Xangai como alternate, ou seja, nem tinha certeza de que iria competir.
Agora, com a campanha extraordinária, ele deve entrar no top 100 pela primeira vez na próxima atualização do ranking.
Na partida desta quinta, o monegasco sofreu no primeiro set, mas se recuperou e soube aproveitar a chance quando Rune mostrou problemas físicos no terceiro set.
O dinamarquês precisou de atendimento médico duas vezes e Vacherot fechou a partida após quase três horas de confronto, com parciais de 2-6, 7-6(4) e 6-4.
Ele se mostrou animado pelo confronto das semis.
“Todos sabemos que o Novak vai se aposentar mais cedo ou mais tarde. Então significa muito para mim poder enfrentar ao menos um membro do ‘Big 3’ na minha carreira”, disse ele ao Tennis World Italia sobre o grupo que também inclui Federer e Nadal.