Qualquer agressão ao líder supremo do Irã será guerra total, diz presidente

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (18) que qualquer agressão contra o líder supremo do país seria considerada uma “guerra total” contra o Irã.

O alerta é feito após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pedido uma nova liderança para o Irã

“As dificuldades enfrentadas pelo povo iraniano hoje são, em grande parte, resultado da hostilidade de longa data e das sanções desumanas impostas pelos EUA e seus aliados”, publicou Pezeshkian em sua conta no Facebook.

Ele acrescentou que qualquer agressão contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, “equivale a uma guerra total contra a nação”.

No sábado (17), Trump pediu uma nova liderança para Teerã após Khamenei tê-lo chamado de “criminoso” por apoiar os protestos antigovernamentais.

Entenda os protestos no Irã

Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.

As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.

A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.

Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.

*Christian Sierra, da CNN, contribuiu para esta reportagem

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