Membros do Parlamento do Irã apelaram ao ministro da Inteligência para que reduza as patrulhas da Basij, força paramilitar, enquanto a segurança reprimem os protestos que acontecem em todo o país há duas semanas.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) — a maior noite de manifestações nacionais até agora — deixando o país praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que mais de 500 pessoas foram mortas e cerca de 10.600 foram presas desde o início dos protestos.
Aqui está o que se sabe sobre a força paramilitar iraniana que há muito tempo é usada pelo Estado para reprimir protestos.
Quem são os Basij?
Significando “mobilização” em farsi (ou persa), idioma oficial do Irã, os Basij são um grupo paramilitar voluntário que atua como braço auxiliar da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a poderosa e elitista força militar iraniana.
Foram formados logo após a Revolução Islâmica de 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que declarou que o Irã jamais seria destruído com uma milícia de 20 milhões de homens.
Quem são os membros?
Sabe-se que a milícia nacional recruta membros em áreas rurais e urbanas e se organiza principalmente em mesquitas nos arredores de Teerã, capital do país, e outras grandes cidades, e seus membros geralmente vêm de origens mais pobres e conservadoras.
O grupo está sob o comando da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que diretamente controlada pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
O que fazem?
A Basij é uma força de segurança interna formada para sustentar a teocracia e a ideologia estatal do Irã e impor a moral islâmica. O grupo tem desempenhado um papel de liderança na repressão violenta da dissidência há décadas.
Um papel crescente
Eles ficaram famosos por conduzir ataques em “ondas humanas” durante a guerra Irã-Iraque de 1980–1988, que, segundo relatos, limpavam campos minados para as forças militares profissionais.
Mas o Basij tem desempenhado um papel cada vez maior desde 2003, quando foi reforçado como primeira linha de defesa em meio a suspeitas de uma possível invasão liderada pelos Estados Unidos, explicaram especialistas. A milícia tem surgido desde então nos momentos iniciais de levantes e instabilidades.
Sanções americanas
A força Basij e certos comandantes foram sancionados diversas vezes pelo governo dos EUA, inclusive por violações dos direitos humanos, repressão a protestos estudantis e suposto uso de crianças-soldado.
Repressão de protestos
Em 2009, a Basij assumiu a liderança no controle de multidões quando dezenas de milhares protestaram contra a eleição presidencial em Teerã e, em 2022, durante a repressão dos protestos após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia religiosa.
Manifestações atuais
A Basij está entre as forças de segurança mobilizadas para reprimir os protestos. A mídia estatal iraniana noticiou baixas em suas forças de segurança, incluindo a própria Basij.
As forças voluntárias também pode estar envolvida no monitoramento da atividade online. No domingo (11), a Agência de Notícias Basij, canal oficial das forças, informou que o site e as redes sociais de um blogueiro foram fechados, afirmando que “a prisão de blogueiros que apoiam os distúrbios continua”.