A Operação Carbono Oculto do Ministério Público de São Paulo, realizada na última quinta-feira (28), segue com grande repercussão. O esquema fraudulento deixa dúvidas também sobre a qualidade do combustível nos postos.
A reportagem da CNN buscou alguns especialistas para tentar explicar sobre como identificar um combustível adulterado em um veículo.
Um ponto a relembrar é que desde o dia 1º de agosto, a gasolina está saindo dos postos com o teor de álcool de 30%.
Segundo o professor e mestre em química, Jhonatan Alves, alguns postos podem mascarar a gasolina colocando um teor de álcool (etanol) um pouco acima, para baratear o produto final.
“Na bomba sai aquela quantidade que a pessoa costuma colocar, mas na realidade ele está pagando mais pelo etanol do que pela gasolina que ele está colocando. Então é uma forma de ludibriar o cliente”, diz Alves.

Ainda de acordo com o químico, os adulteradores costumam usar também um produto que é o nafta. O produto é derivado do petróleo, mas bem mais barato em relação aos outros combustíveis fósseis.
O produto é usado para baratear a gasolina e aumentar o lucro dos postos fraudulentos. Porém, esse tipo de adulteração pode prejudicar os motores dos veículos.
Segundo o analista técnico automotivo da Oficina Brasil, Victor Araujo Pedrão, os primeiros sinais incluem falhas de funcionamento do motor, como engasgos, marcha lenta irregular, dificuldades para dar partida, redução de potência, aumento expressivo no consumo de combustível e emissão excessiva de fumaça (principalmente no caso do diesel).
“Se o combustível for misturado com substâncias inadequadas, como água ou solventes, o motor pode ter dificuldades para queimar a mistura corretamente, resultando em perda de potência, falhas no motor ou até mesmo a impossibilidade de ligar o veículo, sempre resultando na luz de injeção acesa no painel”, explica o especialista.
Ainda segundo o analista, para minimizar os danos, é fundamental agir rápido. “Caso o combustível adulterado seja identificado, o recomendado é esgotar o tanque o quanto antes e fazer a drenagem do sistema de combustível”, acrescenta Pedrão.
Ele ainda comenta que se o motor já tiver sofrido danos, a substituição das peças afetadas (como bicos injetores, bomba de combustível e filtros) é necessária.
Como se prevenir das ciladas?
Segundo o ICL (Instituto Combustível Legal), o consumidor deve ficar em alerta para promoções muito abaixo do preço normal de comercialização. Isso pode ser um indício de combustível fora da conformidade.
Dicas do ICL:
- Procure abastecer em postos de marcas conhecidas e de grande credibilidade;
- Peça sempre a nota fiscal e documente todo o seu consumo. Isso ajuda na hora de acionar os órgãos de defesa do consumidor e de investigação, como Procons, polícias e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
- Cuidado com os aplicativos de busca de preço, pois não levam em consideração a qualidade do produto, nem mesmo a reputação do posto;
- Preço baixo demais, fora da média de mercado, pode ser sinal de posto irregular, que adultera na qualidade e quantidade da gasolina, do etanol ou do diesel.
- E caso tenha sido vítima de combustível adulterado, consulte a seção “Denuncie” do site do Instituto Combustível Legal. Lá, é possível saber, pela sua região e tipo de irregularidade, qual órgão competente acionar.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis-PE, Alfredo Ramos, outra forma do consumidor se prevenir é solicitar testes ao posto de combustível.
“Se houver suspeita de adulteração ou diferença no rendimento do carro, o consumidor pode solicitar ao posto o teste de qualidade e volumétrico”, explica Ramos. O local é obrigado a realizar esses testes na hora e caso não haja o comprimento da medida, pode ser denunciado na delegacia do consumidor.