Plano para matar líder do Irã contou com câmeras hackeadas

As câmeras de trânsito nas ruas de Teerã forneceram uma visão em tempo real dos alvos.

Hackeadas anos atrás, essas câmeras permitiram a Israel mapear a cidade em detalhes, estabelecer padrões de deslocamento e montar um retrato complexo e minucioso do que acontecia dentro da capital inimiga, segundo um oficial israelense.

As câmeras eram apenas uma parte de um sistema muito mais complexo, cujos detalhes foram inicialmente revelados pelo Financial Times, que permitiu a Israel construir o que uma fonte israelense familiarizada com o assunto chamou de uma “máquina de produção de alvos” movida por inteligência artificial, capaz de processar enormes volumes de dados.

O sistema reunia inteligência visual, inteligência humana, inteligência de sinais, comunicações interceptadas, imagens de satélite e outras fontes. Como resultado, produzia uma localização exata na forma de uma coordenada de grade com 14 dígitos.

A enorme quantidade de informações exigia computadores potentes para processar, classificar e analisar os dados e extrair o que Israel buscava: alvos.

O sistema, desenvolvido ao longo da última década, exige uma equipe de pessoas para validar as recomendações de ataque e ajustar os processos, disse a fonte — incluindo especialistas em tecnologia, analistas de dados e engenheiros.

Ele reforça o que Israel tem demonstrado repetidamente ser uma longa e profunda infiltração nos círculos internos do Irã. Essa capacidade já permitiu ao país assassinar dezenas de cientistas nucleares e autoridades iranianas ao longo dos anos, roubar o arquivo nuclear do país e matar o líder político do Hamas em Teerã.

Para Israel, o sistema já havia sido testado antes.

No início da guerra de 12 dias entre Israel e Irã, em junho do ano passado, as Forças de Defesa de Israel utilizaram as mesmas capacidades no ataque inicial, segundo uma segunda fonte israelense. Na ocasião, foram mortos o oficial militar de mais alta patente do Irã, o chefe da Guarda Revolucionária Islâmica — a força de elite do país — e um assessor próximo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, entre outros.

Na manhã de sábado, quando Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque conjunto contra o Irã, o sistema voltou a ser utilizado.

O alvo principal era o agora falecido líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que, segundo autoridades israelenses, se sentia menos vulnerável durante o dia. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, já havia dito anteriormente que Israel não teve oportunidade de atingir o líder supremo em junho, pois ele provavelmente se abrigou em bunkers subterrâneos e ficou em silêncio.

Agora havia surgido a oportunidade de eliminar não apenas Khamenei, mas também os principais líderes militares e de segurança do Irã — vários deles substitutos daqueles que Israel havia matado em junho.

Embora os Estados Unidos e o Irã estivessem envolvidos em negociações sobre o programa nuclear de Teerã, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acreditava que as conversas estavam fadadas ao fracasso. O governo Trump deu respostas variáveis sobre o que buscava nas negociações, mas Israel deixou claro que acreditava não haver base suficiente para um acordo — e certamente não um que fosse aceitável para Netanyahu, que fez forte campanha contra o acordo nuclear anterior com o Irã.

Para o líder mais longevo da história de Israel, que passou grande parte de sua carreira política alertando o mundo sobre os perigos de um Irã nuclear, o momento de agir havia chegado. Netanyahu se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca em 11 de fevereiro. A conversa privada entre os dois líderes durou quase três horas, e apenas uma foto foi divulgada.

Como a CNN já havia informado, a discussão não foi sobre as negociações em andamento com o Irã. Em vez disso, tratou do que aconteceria quando essas negociações fracassassem. Netanyahu apresentou a Trump novas informações de inteligência sobre as capacidades militares do Irã. A reunião ocorreu após uma série de discussões de alto nível entre militares e serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel, à medida que os planos para um ataque conjunto entre os dois países ganhavam forma.

Na tarde de sexta-feira, às 15h38 (horário da Costa Leste dos EUA), Trump deu a ordem que colocou os ataques iniciais em andamento. A mensagem dizia: “A Operação Epic Fury está aprovada. Sem abortar. Boa sorte”, segundo o principal oficial militar dos EUA, o general Dan Caine.

“Este foi um ataque diurno baseado em um evento desencadeador conduzido pelas Forças de Defesa de Israel, viabilizado pela Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos”, disse Caine a repórteres em uma coletiva na segunda-feira. Embora não tenha dado mais detalhes, é provável que ele estivesse se referindo à salva de ataques de Israel que matou Khamenei e muitos dos principais líderes do Irã — operação que, segundo relatos, também contou com inteligência americana para identificar com precisão a localização do líder supremo em seu complexo.

Em poucas horas, Israel já demonstrava otimismo sobre os resultados do ataque, mesmo sem ter certeza de que Khamenei estava morto.

A confirmação veio no início da manhã de domingo, quando a emissora estatal iraniana anunciou: “O líder supremo do Irã alcançou o martírio.”

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