PF usou caminhão disfarçado para atestar fraude em combustíveis pelo PCC

Um trabalho de investigação de forma velada da Polícia Federal no Paraná foi determinante para atestar fraudes em 46 postos de combustíveis no estado. A PF aponta que esses postos são ligados ao crime organizado e ao PCC, usados para lavagem de dinheiro.

Essas informações constam no relatório sob sigilo da PF, ao qual a CNN teve acesso às informações.

Nesse inquérito, a PF usou um caminhão, sem brasão da instituição, como um veículo de passeio, e começou a abastecer em 50 postos da rede investigada, em Curitiba (PR) e região metropolitana, durante um determinado período da investigação na operação Tank.

Dos 50 analisados, a PF apontou que havia fraudes em 46, principalmente de mistura no combustível e adulteração de gasolina, além da chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado.

Com base nesse esquema, a Polícia Federal pediu uma intervenção para administração judicial na rede de postos, mas a Justiça negou com o argumento que os postos são usados para lavagem de dinheiro pelo crime organizado e não como postos da sociedade. Que uma intervenção “não seria a solução”.

A CNN revelou neste sábado (30) que esses postos receberam 12 mil depósitos em espécie em um dia. O relatório da PF detalha que investigados realizaram em média 2 mil depósitos em postos para fracionar dinheiro e uma transportadora de valores fez caminho até fintech.

Deflagrada a operação

A operação Tank foi às ruas na quinta-feira com foco do desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços. Além disso, o grupo é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para realizar transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento.

Dos 14 mandados de prisão, seis foram cumpridos e oito investigados fugiram. A PF decidiu abrir inquérito para investigar vazamento da operação após encontrar os endereços dos alvos sem carros e sem computadores.

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