PF prende suspeito de matar funcionário do Ibama em terra indígena no Pará

A PF (Polícia Federal) prendeu um suspeito de participar no assassinato do funcionário do Ibama Marcos Antônio Pereira da Cruz, morto durante uma operação em uma terra indígena em 15 de dezembro de 2025.

Marcos foi baleado em uma ação de retirada de invasores na Terra Indígena Apyterewa, na cidade de São Félix do Xingu, no Pará. O ataque ocorreu enquanto equipes de órgãos federais e estaduais cumpriam uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para a remoção de ocupantes ilegais e apreender gado mantido de forma irregular no local.

O homem, preso nesta quinta-feira (29), foi alvo de um mandado de prisão temporária na cidade do sul paraense. Ele é investigado por ataques contra servidores públicos, por invasões à Terra Indígena Apyterewa e por ações violentas contra aldeias e comunidades indígenas.

As apurações também indicam uma possível participação em episódios de violência registrados em dezembro de 2024 e em maio de 2025, além de retornos não autorizados ao território indígena, mesmo após notificação formal para desocupação.

O suspeito também é investigado por uma ligação com o ataque a uma equipe da Funai neste mês de janeiro, quando um veículo oficial foi atingido por múltiplos disparos de arma de fogo.

Morte de funcionário do Ibama

Marcos Antônio Pereira da Cruz foi baleado durante a operação de retirada de invasores em dezembro de 2025. Segundo o Ibama, o colaborador, que prestava apoio à operação, foi emboscado e atingido por disparos de arma de fogo durante a ação.

Ele recebeu os primeiros socorros ainda no local e foi levado de helicóptero para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. A ação ocorreu no âmbito da ADPF nº 743.

A operação foi realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado. As autoridades informaram que as medidas cabíveis foram adotadas para apurar o crime e identificar os responsáveis. Em nota, o Ibama lamentou a morte do funcionário, manifestou solidariedade à família.

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) lamentaram o ocorrido e destacaram que “condenam o ataque à equipe que está no território cumprindo uma decisão judicial para a proteção dos territórios indígenas e a conservação do meio ambiente“.

Tensão na Terra Apyterewa

A prisão desta quinta-feira (29) ocorre em um cenário de crescente tensão na Terra Indígena Apyterewa: no último dia 21 de janeiro, um funcionário da Associação Indígena Tato’a, do povo Parakanã, foi vítima de um atentado a tiros dentro do território indígena.

O veículo em que estava foi atingido por cerca de 15 disparos, mas ele conseguiu escapar pela mata até alcançar uma aldeia próxima, onde recebeu ajuda.

A TI Apyterewa, localizada em São Félix do Xingu e considerada uma das áreas mais conflituosas da Amazônia, segue sob pressão de invasores, mesmo após a grande operação de desintrusão iniciada pelo Governo Federal em setembro de 2025. A região, habitada pelo povo Parakanã, enfrenta há anos conflitos fundiários, desmatamento e episódios recorrentes de violência.

As investigações da Polícia Federal permanecem em curso, e novas medidas judiciais poderão ser adotadas.

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