Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sonho Grande, baseada na análise dos microdados do Inep, revelou que estudantes de escolas estaduais com EMI (Ensino Médio Integral) apresentam um desempenho geral no Enem superior aos alunos de unidades de turno parcial.
O levantamento destaca que o impacto é especialmente positivo na área de matemática e suas tecnologias, onde as escolas de tempo integral — que exigem carga horária mínima de sete horas diárias — registraram uma média de cinco pontos a mais do que as instituições regulares.
Ensino integral por melhores resultados
Para o professor Felipe Guisoli, esse modelo de ensino é fundamental para superar a resistência que muitos estudantes ainda demonstram com a disciplina.
Com dez anos de experiência preparando alunos para vestibulares concorridos, Guisoli acredita que o primeiro passo para o sucesso é a quebra de bloqueios emocionais. “Sempre digo que, antes de aprender matemática, precisamos quebrar a barreira histórica que muitos ainda carregam. Há um histórico de apreensão com a área. Eu entendo: muitos alunos chegam com traumas, bloqueios, aquela sensação de que ‘nunca foram bons’ em matemática. Mas, a verdade é que isso não passa de uma apreensão equivocada. Meu papel, como professor, é ajudar a ressignificar essa relação. Quero que os alunos vejam a matemática não como um obstáculo, mas como uma linguagem poderosa para compreender o mundo, uma ferramenta criativa e, acima de tudo, acessível a todos. O ensino integral é um aliado importante para reforçar esse panorama”, enfatiza.
A metodologia defendida por Guisoli foca na mudança de mentalidade, substituindo a ideia de “dom” por um processo de construção contínua.
Segundo o professor, o que impede a evolução não é a falta de esforço, mas a ausência de um estudo estratégico e profundo. “Eu sempre insisto: mudar a mentalidade é o primeiro passo para transformar o aprendizado. Não existe essa história de que ‘não nasci para a matemática’. Isso é um mito. O que existe é um processo de construção, uma habilidade que se desenvolve com o tempo, com paciência e com método. O que faço aqui no Universo Narrado é estimular nos candidatos uma mentalidade de crescimento, mostrar que o esforço, a curiosidade e a perseverança são muito mais importantes do que qualquer suposto ‘dom’. Quero que eles enxerguem a matemática como uma aliada, não como uma ameaça”, conta.
Para tornar o aprendizado mais prazeroso, Felipe aposta em uma linguagem leve, bem-humorada e conectada ao cotidiano, sem abrir mão do rigor intelectual. Ele defende que o ensino deve ser prazeroso para ser eficaz. “Eu gosto de ensinar de forma descomplicada, leve, mas sem perder a profundidade. A matemática não precisa ser pesada, cheia de termos complicados e fórmulas que parecem sem sentido. Gosto de trazer clareza, de usar exemplos do cotidiano, de contar histórias que mostram como as ideias matemáticas surgiram. Sempre digo que quando o professor se diverte, os alunos aprendem mais. E é isso que busco: tornar o aprendizado prazeroso, acessível e, ao mesmo tempo, intelectualmente estimulante. A matemática pode, sim, ser leve”, afirma.
Por fim, Guisoli faz um alerta contra a memorização mecânica, defendendo um plano de estudos que priorize o raciocínio lógico em vez da simples “decoreba” de fórmulas. Para ele, a autonomia do aluno depende de entender a lógica por trás dos conceitos. “Eu sou completamente contra o ensino baseado em decoreba. Não quero que os alunos fiquem presos a decorar fórmulas sem entender de onde elas vêm. O que proponho é um plano de estudos otimizado, que valorize a compreensão profunda e o desenvolvimento real das suas capacidades de raciocínio. Aqui no Universo Narrado, trabalhamos com teoria bem explicada, prática inteligente e revisões estratégicas. Meu objetivo é que o candidato consiga aplicar o conhecimento em diferentes contextos, com autonomia e segurança, sem depender de memorização mecânica”, conclui o professor.