O presidente do Peru, José Jerí, disse nesta sexta-feira (28) que o país decretará estado de emergência em sua fronteira com o Chile e anunciou que reforçará a vigilância militar para impedir a entrada de migrantes estrangeiros sem documentos.
As medidas acontecem enquanto dezenas de pessoas, em sua maioria venezuelanos, tentavam deixar o vizinho do sul. “Nossas fronteiras se respeitam”, disse o presidente.
Há mais de uma semana, o candidato presidencial chileno de extrema-direita José Antonio Kast, favorito para vencer a eleição de 14 de dezembro contra a Jeannette Jara, de esquerda, pediu aos imigrantes ilegais que deixassem o país voluntariamente.
Kast prometeu que, se chegar ao poder, iniciará esse processo de expulsão a partir de 11 de março.
“Que fique claro, a política do governo é que não permitiremos a migração irregular”, disse o ministro das Relações Exteriores do Peru, Hugo de Zela, aos repórteres nesta sexta-feira (28), no pátio do Palácio do Governo, em Lima.
O general de polícia peruana Arturo Valverde disse que a vigilância na fronteira havia sido intensificada enquanto se aguardava a declaração de emergência.
“É um problema que está surgindo com a chegada (à fronteira) de muitos estrangeiros sem documentos que procuram entrar em nosso país”, disse Valverde à estação de televisão peruana Canal N na fronteira.
“Os sem documentos ou aqueles que não têm passaporte e visto não podem entrar”, acrescentou.
Cerca de 7,9 milhões de venezuelanos vivem fora de seu país, o segundo maior deslocamento do mundo, de acordo com dados divulgados no início deste ano pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Aproximadamente 700 mil venezuelanos vivem no Chile e cerca de 1,5 milhão no Peru, de acordo com a organização.