Padilha à CNN: No futuro, vacina do Butantã pode ter impacto internacional

O Brasil deve iniciar, no próximo dia 17, a aplicação de uma vacina de dose única produzida pelo Instituto Butantan contra a dengue. À CNN Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destaca que essa vacina possui três “grandes vantagens”.

Em primeiro lugar, ele destaca que é a “primeira vacina em dose única do mundo“, o que traz, em seu entender, uma adesão maior da população.

“A outra vacina internacional precisa de duas doses. Então tem muitas pessoas que tomaram a primeira e não voltaram para tomar a segunda dose. A vacina do Butantan tem essa vantagem muito maior”, explicou.

A segunda grande vantagem é que a produção brasileira “tem uma proteção muito maior contra os quatro tipos de dengue, enquanto a vacina internacional tem estudos mais seguros de proteção para apenas dois sorotipos”.

Em terceiro lugar na lista, Padilha diz que a vacina é 100% nacional, o que reafirma uma “soberania do Brasil para garantir essa vacina ao povo brasileiro”.

“Não tenho dúvidas de que nós estamos caminhando para ser um sucesso nacional de vacinação. A vacina do Butantan pode, inclusive, ter um papel de vacinação em outros países no futuro, fazendo com que uma vacina 100% do Brasil ocupe também o mercado internacional, gerando renda e tecnologia para cá”, destacou.

Plano de ação

O governo escolheu três cidades para dar início à aplicação da dose única contra a dengue. São elas: Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). À CNN, Padilha explicou o porquê de cada uma dessas escolhas:

Neste caso, Padilha cita que a cidade também serviu de base para uma “vacinação acelerada para a Covid-19” no período da pandemia.

“Naquele momento isso foi muito importante, inclusive, para esclarecer o resto da população brasileira da eficácia e segurança da vacina. Então vamos repetir isso em Botucatu que já tem essa experiência. Sem contar que São Paulo foi o estado que teve maior número de casos de dengue em 2025. No ano passado, o estado concentrou mais de 70% dos casos e óbitos no Brasil. Então ver qual vai ser um impacto numa cidade desse estado tem valor muito grande para a gente pensar como essa vacina pode contribuir”.

De acordo com o ministro, o estado do Ceará, ao contrário de São Paulo, não registrou muitos casos de dengue em 2025. Ele explica que não houve circulação da dengue tipo 3 por lá. Por isso, a ideia é fazer essa avaliação “para ver como uma cidade se protege para o risco da entrada da dengue 3”, visto que a vacina é contra todos os 4 tipos da doença.

Em Minas Gerais a situação já se assemelha mais ao estado de São Paulo. A ideia, de acordo com Padilha, é testar neste município que é metropolitano, “o impacto também das pessoas que circulam pelas cidades” do estado.

Quantidade de doses

De acordo com Alexandre Padilha, o Butantan ofereceu em seu cronograma, uma capacidade de produção até o final do mês de janeiro de 1 milhão e 300 mil doses da vacina e o Ministério da Saúde já comprou toda a produção que o Instituto pode oferecer neste ano e também no ano que vem, o que resulta em cerca de 3 milhões de doses.

Além disso, o ministro destaca uma parceria firmada entre o Butantan e uma empresa chinesa para aceleração da produção.

“Eu fui lá [na China] pessoalmente consolidar essa parceria que tem capacidade de produzir até trinta vezes mais do que o Butantan. A medida que essa empresa for integrando ao Ministério uma maior quantidade de doses, nós vamos começar a vacinação na população em geral começando pelos 59 anos e descendo na faixa etária até 15 anos”.

Cronograma

A vacinação da população em geral já deve iniciar em 2026, segundo Padilha.

Atualmente, o SUS oferece já oferece a vacina em duas doses (produzida no Japão) para adolescentes de 10 a 14 anos, a ideia é que a do Butantan se some à essas para oferecer uma cobertura maior para toda população.

O primeiro lote da vacina brasileira será destinado aos profissionais da atenção primária, que atuam nas UBs (Unidades Básicas de Saúde). A partir da ampliação e da produção, a aplicação da dose única vai começar pelo público de 59 anos e avançar até os brasileiros com 15 anos.

“Já em 2026 nós vamos ter as duas estratégias de vacinação. A vacina internacional japonesa que é direcionada ao público mais jovem, são duas doses de vacinação. O Ministério da Saúde comprou 9 milhões de doses para esse ano dessa vacina, mais do que 50% do que tínhamos no ano passado e a vacina do Butantan começando com o público mais idoso”, completa o ministro.

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