Oscar 2026: disputa acirrada marca premiação a poucos dias da cerimônia

Com o Oscar logo ali, é difícil encontrar outro ano em que a disputa estivesse tão em aberto, tão próximo da premiação.

O Globo de Ouro, Critics Choice, Bafta e Actor (anteriormente SAG) Awards já ficaram para trás, e enquanto alguns elementos se tornaram mais claros — o Oscar de Melhor Atriz é praticamente certo para Jessie Buckley por “Hamnet”, por exemplo — muitos outros aspectos da disputa permanecem nebulosos para se prever, como quem poderá levar o troféu de Melhor Ator ao seu lado.

E isso sem mencionar os campos aparentemente muito abertos nas duas categorias de ator coadjuvante. A seguir, uma análise das principais categorias:

Melhor Filme

Dois titãs parecem ser grandes competidores na noite do Oscar, especialmente os favoritos da crítica “Uma Batalha Após A Outra” e “Pecadores”.

Comentários incisivos sobre desigualdade racial e valores americanos, apresentando um punhado de performances comentadas e alimentando um forte boca a boca, estes dois filmes da Warner Bros. Pictures  tiveram um momentum considerável ao entrar na temporada.

Mas enquanto “Uma Batalha Após A Outra”, de Paul Thomas Anderson com 14 indicações ao Oscar, parecia imbatível há alguns meses — especialmente após as vitórias de Melhor Filme no Globo de Ouro (na categoria comédia, inexplicavelmente), Critics Choice Awards e Bafta – “Pecadores”, de Ryan Coogler, ganhou um novo fôlego considerável, principalmente após a decisiva vitória do filme na categoria ensemble no Actor Awards no domingo (1º).

Já se passaram 15 anos desde que a Academia abriu a categoria de melhor filme para mais do que o número fixo anterior de cinco indicados – oscilando entre oito e dez candidatos a melhor filme, e se estabelecendo consistentemente em dez nos últimos anos

Este ano, existem, é claro, outros concorrentes na categoria com dez filmes – incluindo “Valor Sentimental”, “Marty Supreme”, “Hamnet” e “Bugonia” – mas a disputa parece estabelecida entre os vampiros e os revolucionários.

Melhor Atriz

Na disputa aparentemente mais clara de todas, a interpretação de Jessie Buckley como uma mãe e esposa de William Shakespeare (Paul Mescal) enlutada em “Hamnet”, de Chloé Zhao, parece praticamente garantida para conquistar o Oscar, após ela ter sido previamente indicada como melhor atriz coadjuvante em 2022 por “A Filha Perdida”. O recente discurso apaixonado e emocionante de Buckley no Actor Awards, dirigido principalmente à sua colega de elenco em “Hamnet”, Emily Watson, certamente só ajudou suas chances.

Além de Buckley, duas das outras mulheres indicadas a melhor atriz já foram nomeadas antes (a Academia adora indicados que retornam), mas se alguém pode conseguir uma virada, é um empate técnico entre as duas estreantes: Rose Byrne, que venceu melhor atriz na categoria comédia no Globo de Ouro por seu trabalho como uma mãe sobrecarregada no angustiante “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, e a aclamada atriz norueguesa Renate Reinsve como uma filha ressentida em “Valor Sentimental”.

Melhor Ator

É aqui que qualquer previsão confiante termina, e o resto das categorias de atuação está essencialmente em aberto para qualquer um.

O impulso inicial para melhor ator foi para Timothée “Eu-quero-ser-um-dos-grandes” Chalamet, que garantiu o Globo de Ouro de melhor ator em comédia, assim como o Critics Choice Award. Mas tanto o Bafta quanto o Actor Awards trouxeram uma pequena reviravolta, com os britânicos premiando Robert Aramayo (por “I Swear”), não indicado ao Oscar, e o Screen Actors Guild concedendo as honras de melhor ator a Michael B Jordan por seus papéis duplos como Smoke e Stack em “Pecadores”.

Jordan pode de fato surfar na onda do amor por “Pecadores” até o pódio do Oscar, ou pode ser a vez do Timmy (Chalamet também foi indicado no ano passado por interpretar Bob Dylan em “Um Completo Desconhecido”, que lhe rendeu o então ainda chamado Prêmio SAG).

Mas não vamos esquecer o ator de “Narcos” Wagner Moura, que causou impacto por seu trabalho no filme brasileiro “O Agente Secreto”, conquistando o prêmio de melhor ator em Cannes, além do Globo de Ouro de melhor ator na categoria drama.

Melhor Atriz Coadjuvante

A disputa de melhor atriz coadjuvante é, historicamente, difícil de prever, e este ano não é exceção. Enquanto a performance visceral e cinética de Teyana Taylor como a revolucionária Perfidia Beverly Hills em “Uma Batalha Após A Outra” foi a favorita inicial após sua vitória no Globo de Ouro, duas outras atrizes que chamaram atenção continuam se reinserirem na conversa, graças aos seus trabalhos inegáveis.

A primeira é Amy Madigan, conhecida pela maioria por filmes dos anos 80 como “Quem Vê Cara Não Vê Coração” e “Campo dos Sonhos”, que apresentou uma performance maluca como a vilã bruxa Tia Gladys no sucesso de terror elevado do último verão “A Hora do Mal”. Com o Critics Choice e o Actor Award no currículo de Madigan, o Oscar pode muito bem cair sob o feitiço de Gladys em 15 de março.

Mas não devemos descartar Wunmi Mosaku, cuja performance como Annie em “Pecadores” enraizou o filme em herança, magia e coração.

Mosaku ganhou o prêmio Bafta nesta categoria no mês passado, e caso haja uma onda de vitórias de “Pecadores” na noite do Oscar, sua conquista seria completamente merecida.

Embora o terror não seja frequentemente reconhecido pela Academia, tanto Madigan quanto Mosaku estão concorrendo por interpretarem mulheres com poderes mágicos em filmes de terror este ano, e nos lembram que existe um precedente — Ruth Gordon ganhou o Oscar de atriz coadjuvante em 1969 por interpretar uma personagem similarmente ligada à bruxaria em “O Bebê de Rosemary”, e filmes marcantes do gênero como “O Exorcista” e “Aliens” também receberam reconhecimento da Academia para suas atrizes principais.

Melhor Ator Coadjuvante

Por último, mas certamente não menos importante, está o melhor ator coadjuvante, que pode ir para uma estrela recém-descoberta, veteranos da indústria desfrutando de sua primeira indicação ou pesos-pesados que já possuem estatuetas do Oscar em casa.

Vamos começar com o novato – Jacob Elordi tem recebido reconhecimento por seu retrato transformador da criatura em “Frankenstein” de Guillermo del Toro, incluindo uma vitória no Critics Choice Awards. Se “A Forma da Água” de 2017 serve de indicação, nunca se deve descartar os projetos deste diretor visionário quando se trata do apreço do Oscar.

Depois, há os veteranos da indústria que estão desfrutando de suas primeiras indicações ao Oscar, especificamente Stellan Skarsgård por “Valor Sentimental” e Delroy Lindo por “Pecadores”. Skarsgård ficou surpreso e gracioso quando ganhou melhor ator coadjuvante no Globo de Ouro, superado apenas pela pura gratidão de Lindo quando ele pegou o microfone após “Sinners” vencer melhor elenco de filme no Actor Awards. Ambos os atores possuem corpos de trabalho prolíficos e respeitados, e cada um contribuiu com atuações marcantes este ano.

Por fim, há os rapazes de “Uma Batalha Após A Outra”, os vencedores prévios do Oscar Sean Penn e Benicio Del Toro. Embora possa ser tentador presumir que eles dividiriam os votos e se anulariam (assim como parece ser o caso com Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas em “Valor Sentimental” na categoria anterior), Penn tem recebido atenção no final da temporada por sua interpretação física e crua de um coronel endurecido, racista e misógino em “Uma Batalha Após A Outra”. Até agora, ele conquistou o Bafta e o Actor Awards.

Realmente é uma disputa em aberto.

A 98ª edição do Oscar será realizada em 15 de março.

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