ONU diz que centenas morreram no Irã; autoridade do país fala em milhares

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Jeremy Laurence, afirmou nesta terça-feira que “o número que estamos ouvindo é de centenas”, ao ser questionado sobre a dimensão dos assassinatos de manifestantes durante os protestos no Irã.

Um funcionário iraniano indicou nesta terça-feira que o número era ainda maior, em torno de dois mil.

Laurence participou de uma coletiva de imprensa, em Genebra, onde leu um comunicado de Volker Turk, chefe de direitos humanos da ONU.

Segundo o informe, Turk estava “horrorizado” com a crescente violência das forças de segurança iranianas contra manifestantes pacíficos.

As autoridades religiosas da República Islâmica enfrentam os maiores protestos desde 2022 e, no domingo (11), um grupo de direitos humanos afirmou que os protestos já deixaram mais de 500 mortos.

“Este ciclo de violência horrível não pode continuar. O povo iraniano e suas reivindicações por justiça, igualdade e equidade devem ser ouvidas”, disse Turk em uma declaração lida pelo porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Jeremy Laurence, em uma coletiva de imprensa.

Ele acrescentou que os relatórios coletados pela ONU indicam que os serviços telefônicos estão funcionando, mas de forma limitada, e que o acesso à internet continua instável.

Laurence disse que Turk também expressou preocupação com a possibilidade de a pena de morte ser aplicada contra milhares de manifestantes que foram presos.

Repressão e apagão da internet afeta checagem do número de vítimas

O correspondente da CNN Brasil, Américo Martins, explica que é impossível saber o real número de mortos pela repressão às manifestações por democracia e contra o custo de vida no Irã, devido ao corte de internet e ação do regime.

Entidades de direitos humanos baseadas no exterior afirmam que conseguiram confirmar mais de 500 mortes e mais de 10 mil presos.

Mesmo sabendo que esses grupos têm muitos contatos dentro do Irã, é necessário ler esses números com a devida cautela.

Em primeiro lugar, porque as manifestações são nacionais, ocorrendo inclusive em cidades mais distantes de Teerã, a capital. Isso dificulta a tabulação de números gerais, que podem ser ainda maiores do que os divulgados.

Além disso, muitas das entidades que estão divulgando os números são ligadas à oposição ao regime e a dissidentes exilados pelos aiatolás. Assim sendo, eles não agem necessariamente de forma neutra e podem ter interesse em inflar os dados.

Por fim, o bloqueio digital promovido pela ditadura foi feito justamente para impedir que as informações sobre a repressão fossem veiculadas fora do país. Além, claro, de tentar dificultar a comunicação entre os manifestantes.

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