O número de manifestantes mortos nos protestos no Irã pode ultrapassar 16.500, segundo um relatório publicado pelo The Sunday Times, neste domingo (18).
A CNN não pôde verificar de maneira independente os dados divulgados pelo jornal britânico, que cita informações compartilhadas por médicos no local.
O relatório se baseia em relatos de funcionários de oito grandes hospitais oftalmológicos e 16 prontos-socorros em todo país.
O documento, segundo o Times, aponta que entre 16.500 e 18 mil pessoas foram mortas e outras 330 mil a 360 mil ficaram feridas. A maioria das vítimas teria menos de 30 anos.
“Pelo menos 700 a 1.000 pessoas perderam um olho. Somente um hospital oftalmológico em Teerã, a Clínica Noor, documentou 7 mil lesões oculares”, escreveu o jornal.
A reportagem também destaca que muitas pessoas morreram pela escassez de bolsas de sangue – embora as próprias equipes médicas de vários hospitais estivessem doando sangue para manter os pacientes vivos. O Sunday Times afirma que, em alguns casos, agentes do regime proibiram as transfusões.
O Sunday Times classificou o ocorrido no Irã nas últimas semanas como “a repressão mais brutal do regime clerical em seus 47 anos de existência”.
Os números citados pelo relatório no jornal contrastam com os levantamentos de grupos de direitos humanos. O HRANA (Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos), sediado nos Estados Unidos, afirma que mais de 3 mil pessoas foram mortas nos protestos, citando fontes no país.
Já uma autoridade iraniana declarou à agência Reuters que os números ultrapassam a casa dos 5 mil, incluindo cerca de 500 agentes das forças de segurança do regime.
No sábado (17), o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, reconheceu que milhares de iranianos foram mortos durante as mais de duas semanas de protestos no país.
O analista sênior de Internacional da CNN Brasil, Américo Martins, destacou que o bloqueio de internet e telecomunicações no país, que já dura quase 10 dias, torna impossível saber o real número de fatalidades causadas pela repressão às manifestações.
“Mesmo sabendo que esses grupos têm muitos contatos dentro do Irã, é necessário ler esses números com a devida cautela”, escreveu Martins.
“Em primeiro lugar, porque as manifestações são nacionais, ocorrendo inclusive em cidades mais distantes de Teerã, a capital. Isso dificulta a tabulação de números gerais, que podem ser ainda maiores do que os divulgados. Além disso, muitas das entidades que estão divulgando os números são ligadas à oposição ao regime e a dissidentes exilados pelos aiatolás. Assim sendo, eles não agem necessariamente de forma neutra e podem ter interesse em inflar os dados”, acrescentou.
“Por fim, o bloqueio digital promovido pela ditadura foi feito justamente para impedir que as informações sobre a repressão fossem veiculadas fora do país. Além, claro, de tentar dificultar a comunicação entre os manifestantes”, concluiu.
* Com informações de Billy Stockwell, Kareem El Damanhoury, Christian Sierrade e Hira Humayun, da CNN, da Reuters e de Américo Martins, da CNN Brasil