Nova tarifa de 10% não afeta competitividade do Brasil, diz Alckmin

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, disse, nesta sexta-feira (20), que a nova taxa global de 10% anunciada por Donald Trump não atrapalha a competitividade dos produtos brasileiros, já que todos os países terão os mesmos impactos.

O vice-presidente também celebrou a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou grande parte do tarifaço de Trump, e classificou a medida como “importante”.

“Nós continuaremos com as negociações, sempre defendemos o diálogo e seguiremos fazendo isso com os Estados Unidos”, completou Alckmin.

Alckmin também negou que o governo do Brasil tenha feito qualquer tipo de intervenção sobre a Justiça norte-americana – em resposta à declaração de Trump, nesta sexta-feira (20), acusando a Suprema Corte de ceder a pressões estrangeiras.

“O governo brasileiro nunca entrou na Justiça para reaver as tarifas, toda a movimentação que ocorreu judicialmente foi interna dos EUA. Nós sempre fomos pela via da negociação”, afirmou Alckmin.

Sobre a aplicação da nova taxa global de 10% pela Casa Branca, o vice-presidente disse, ainda, que o governo brasileiro vai aguardar os procedimentos jurídicos nos Estados Unidos para se posicionar melhor a respeito do tema.

“Ainda há muita dúvida de como as coisas ficaram, inclusive entre os americanos. Esperaremos as definições para orientar as empresas”, disse o vice-presidente.

Negociações Brasil x EUA

Geraldo Alckmin defendeu a postura de diálogo que vem sendo adotada pelo governo brasileiro em todo o processo do tarifaço. Segundo ele, as reduções e isenções que o Brasil conseguiu nas tarifas extras que estavam em vigor só foram possíveis “por conta das conversas de Lula com Trump”.

O vice-presidente declarou que as negociações vão continuar, inclusive na reunião bilateral que Lula terá com o presidente americano, em Washington, em março. Alckmin disse que o tema dos datacenters também entrará na pauta do encontro – o Brasil tem buscado atrair investimentos e empresas do setor.

De acordo com Alckmin, 22% das exportações brasileiras estavam sob efeito de alguma tarifa, e a derrubada de parte das taxações pela Suprema Corte pode ser mais uma oportunidade de se obter melhores condições comerciais para os produtos do Brasil. “A decisão abre ainda mais portas para negociações e para a diminuição e retirada das taxas”, disse o vice-presidente.

Em relação aos itens brasileiros que poderão ser beneficiados com a retirada de tarifas, Alckmin citou madeira para móveis, armamentos, flores ornamentais e café solúvel como produtos da pauta de exportações com potencial de terem mais efeitos positivos.

Outro tema econômico que tem atraído a atenção do governo é o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, que agora passa pela fase de aprovação nos parlamentos dos países membros dos blocos. O vice-presidente disse que está otimista com o andamento da implementação do acordo. “Esse é o maior acordo do mundo, nossa expectativa é que se vote rapidamente no Parlasul (Parlamento do Mercosul), e acreditamos que o processo avance em algumas semanas”, declarou.

*Sob supervisão de Gabriel Bosa.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *