Nas principais ligas americanas, o que não faltam são tradições envolvendo as franquias, seja para valorizar uma data, reafirmar compromissos com as comunidades em que estão inseridas ou manter um vínculo com um jogador ilustre. No caso do Cleveland Cavaliers, o brasileiro Anderson Varejão é destaque absoluto.
O ex-pivô e atual consultor de desenvolvimento de atletas e embaixador global dos Cavs foi selecionado pelo Orlando Magic na 30ª posição do draft de 2004, abrindo a segunda rodada. Logo depois, antes do início da temporada regular de 2004-05, Varejão foi trocado para a franquia de Ohio.
Em Cleveland, o brasileiro foi campeão do Leste e perdeu a decisão da NBA para o San Antonio Spurs, em 2007. Pouco depois, acabou eleito para o segundo time de defesa da temporada de 2009-10. Varejão ficou nos Cavaliers até fevereiro de 2016, quando foi trocado para o Portland Trail Blazers, sendo imediatamente dispensado.
Depois de defender o Golden State Warriors entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2017 — portanto, sendo vice-campeão da NBA justamente diante dos Cavs, em 2016, e sendo parte do elenco que conquistaria o título na sequência, em 2017 —, passou pelo Flamengo no basquete brasileiro e retornou aos Cavs em maio de 2021.
O brasileiro assinou dois contratos de dez dias para se aposentar em casa, ao fim de uma temporada ainda atingida pela pandemia de Covid-19 — foram somente 72 jogos na fase classificatória, por exemplo, com os Cavs terminando o Leste na 13ª colocação, com apenas 22 vitórias.
Como se toda essa jornada não fosse o suficiente para confirmar a relação com a franquia, os Cavs fizeram questão de reafirmá-la de outras formas. Foram três edições da tradicional “Noite das Perucas”, evento em que adereços similares à cabeleira do então pivô eram distribuídos entre os torcedores.
Em 21 de fevereiro de 2006, inclusive, a festa foi tamanha que o Guinness World Records atestou o recorde de “mais pessoas vestindo perucas em um ginásio”. Varejão ainda foi o garoto-propaganda da “Snuggie Night”, que, em 5 de março de 2010, terminou com um novo recorde: o de “maior reunião de pessoas vestindo cobertores de lã”.
E não para por aí.
O capixaba ainda foi protagonista de três edições da “Bobblehead Night” — os famosos bonequinhos cabeçudos que homenageiam atletas, artistas e outras personalidades. A mais recente aconteceu no ano passado, em 6 de dezembro, quando foi colocado vestindo o atual City Edition, modelo que as franquias recebem da Nike eventualmente.
Neste caso, a camisa celebra a 55ª temporada dos Cavs e se inspira nos uniformes alternativos usados entre 2005 e 2010 — esses, por sua vez, já remetiam a um dos uniformes dos anos 1970. Portanto, mesmo aposentado, Varejão segue recebendo o carinho da franquia e dos torcedores.
Outra prova de que o brasileiro “venceu o tempo”, reafirmando o vínculo com os Cavs, foi o lançamento em março de 2025 de uma camisa retrô da Mitchell & Ness, especializada em uniformes clássicos de equipes dos esportes americanos — no caso de Varejão, a escolhida foi a amarela/dourada com detalhes em branco e vinho de 2004-05.
O próximo passo, que será realizado ainda em 2026, será passar a integrar a “Wall of Honor”, parede dentro da Rocket Arena que eterniza grandes personagens, jogadores ou não, da história dos Cavaliers.
*O jornalista viaja a convite da NBA Brasil