Mulher procurou Conselho Tutelar antes de desaparecer no RS; ex é suspeito

Antes de desaparecer, no fim de janeiro, Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, procurou o Conselho Tutelar de Cachoeirinha (RS) para relatar que o filho dela, de 9 anos, teria restrições alimentares e que o pai estaria desrespeitando orientações sobre a dieta do menino. Cristiano Domingues Francisco, que é ex-companheiro da vítima e policial militar, está preso deste a última terça-feira (10).

Além de Silvana, os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, também estão desaparecidos. Conforme a Polícia Civil, ela e o suspeito não mantinham uma boa relação. O menino morava com Silvana, mas passava os fins de semana na casa do pai. Silvana esteve no órgão no dia 9 de janeiro, e relatou que o filho é intolerante à lactose. O delegado Anderson Spier informou que o Conselho Tutelar tem um processo de análise da situação.

Dias depois, em 24 de janeiro, ela desapareceu. Já em 28 de janeiro, o suspeito foi até o Conselho Tutelar para saber se o filho poderia ficar com ele. Após a prisão do homem, o menino foi encaminhado para a casa dos avós paternos.

Em nota, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar disse que o policial será afastado do serviço.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Cristiano Domingues Francisco. O espaço está aberto para manifestação.

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Entenda o caso

No dia 24 de janeiro, Silvana fez uma publicação em uma rede social afirmando que havia sofrido um acidente de trânsito durante retorno de uma viagem à Gramado, na Serra Gaúcha. No dia seguinte, a mulher também agradeceu por orações. Desde então, o celular dela está desligado e não houve novos contatos.

Em 25 de janeiro, os pais dela foram alertados por vizinhos sobre as publicações e iniciaram a procura pela filha. Eles chegaram a ir a uma delegacia do município, mas como era domingo, a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos.

A família é proprietária de um mini mercado, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). O local está fechado desde então.

A Polícia Civil informou que o acidente de trânsito relatado por Silvana na internet não ocorreu. Além disso, o carro dela foi encontrado na garagem de casa. A chave do veículo estava dentro do imóvel.

Na noite do desaparecimento, imagens de uma câmera de segurança mostraram uma movimentação considerada suspeita na casa de Silvana. Um carro vermelho chega ao local por volta de 20h30, e sai oito minutos depois. Às 21h28, chega o veículo da própria desaparecida e entra na garagem.

Às 23h30, outro carro chega, fica no local por cerca de 12 minutos e vai embora.

A investigação ainda não confirmou se era Silvana que dirigia o próprio carro, nem identificou os motoristas dos outros veículos envolvidos. Ainda, a polícia não descarta a hipótese desses outros dois veículos se tratarem, na verdade, do mesmo carro.

Os investigadores encontraram vestígios de sangue dentro de um banheiro e em uma área nos fundos da casa de Silvana. Não havia sinais de luta corporal.

Já na casa dos pais dela, foi encontrado um projétil, identificado como de festim. De acordo com a polícia, o objeto não deve estar relacionado ao caso, mas o resultado de perícias devem esclarecer. Além disso, o imóvel estava totalmente organizado e limpo, conforme o delegado Anderson Spier.

Confira a nota da Brigada Militar na íntegra:

“A Brigada Militar informa que, na manhã desta terça-feira (10/2), a Polícia Civil e a Corregedoria-Geral da Brigada Militar realizaram a prisão temporária de um policial militar, em razão das investigações sobre o desaparecimento de três pessoas de uma mesma família de Cachoeirinha.

As investigações estão a cargo Polícia Civil e a Corregedoria-Geral acompanha o caso.

Em decorrência da prisão, o policial militar será afastado do serviço policial, conforme previsto na legislação vigente, permanecendo a adoção de próximas providências internas condicionada à conclusão das investigações.

No momento, não serão concedidas entrevistas, tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento.”

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