A missão Artemis II da Nasa se prepara para lançar quatro astronautas para a órbita lunar, passando inclusive pelo lado oculto da Lua.
Eles não realizarão um pouso na Lua. É a primeira missão tripulada após mais de 50 anos.
A trajetória levará os astronautas mais longe no espaço profundo do que qualquer outro ser humano já esteve, superando o recorde alcançado pela missão Apollo 13, em 1970.
Sobre o lado oculto, segue sendo um dos grandes mistérios a serem explorados em missões futuras. Entenda abaixo um pouco mais sobre o lado oculto.
“Lado escuro que é iluminado”
O lado oculto da Lua está sempre fora da observação da Terra porque o satélite natural leva o mesmo tempo para girar em torno do seu eixo e ao redor da Terra.
Ou seja, essa região não é visível devido ao comportamento orbital da Lua em relação ao nosso planeta, um fenômeno chamado de movimento síncrono.
Como resultado dessa sincronicidade, os observadores da Terra só podem ver a Lua com um lado “congelado” e, aparentemente, sem rotação.

É justamente essa influência entre o satélite e o nosso planeta que causa a característica peculiar, mas os cientistas ainda estão tentando entender por que esse ponto lunar é tão diferente.
A primeira vez que o lado oculto da Lua foi devidamente observado ocorreu em meados de 1959, após a nave russa Luna 3 fotografar a região.
Apesar de também ser popularmente conhecido como “lado escuro da Lua”, a expressão não está correta, pois o Sol ilumina toda a Lua.
Uma das grandes diferenças do lado não visível da Lua é a grande quantidade de crateras.
Geralmente, as pessoas acreditam que isso ocorre porque este lado está mais exposto aos impactos de rochas que chegam do espaço, mas todos os lados do satélite são impactados da mesma forma.
Os atuais dados sugerem que o lado mais distante apresenta uma crosta muito mais espessa, uma característica que pode ter impedido que a atividade vulcânica cobrisse as crateras com lava basáltica.
Talvez por isso, esta parte da superfície lunar apresente tantas crateras.
Por que o retorno está acontecendo agora?
A Nasa explica que o retorno à Lua faz parte de um novo programa de exploração chamado Artemis, que tem objetivos mais amplos que apenas repetir o feito de Apollo.
No entanto, a missão Artemis II não pousará inicialmente na Lua, mas levará quatro astronautas em uma viagem orbital ao redor do satélite, testando sistemas essenciais como suporte de vida da espaçonave Orion e outras tecnologias antes de uma futura missão de pouso, a Artemis III, prevista para 2027.
Segundo a própria agência, os objetivos iniciais da Artemis II incluem: explorar expansão do conhecimento científico e o desenvolvimento de novas tecnologias que serão aplicados para melhorar a vida na Terra.
Esse retorno acontece porque o conhecimento e as tecnologias evoluíram, e a Nasa quer usar isso para explorar a Lua, incluindo estudar regiões que nunca foram visitadas antes, como o polo lunar.
“A agência lidera a maior coalizão internacional no espaço, com o objetivo de impulsionar a humanidade mais longe do que nunca, para o benefício de todos, desenvolvendo capacidades para que astronautas vivam e trabalhem na Lua antes do nosso próximo grande passo: a exploração humana de Marte”, explica a agência.
(Publicado por AR)