A atriz Julia Roberts, 58, afirmou que não aceitaria hoje o papel icônico que interpretou em “Uma Linda Mulher”(1990), filme que a transformou em um dos principais nomes do cinema mundial.
Protagonista da comédia romântica ao viver a profissional do sexo Vivian Ward, a vencedora do Oscar disse acreditar que mudanças de perspectiva tornam “impossível” repetir algo semelhante nos dias atuais.
Em entrevista ao Deadline, a veterana de Hollywood explicou: “Ah, é impossível. Tenho anos demais de desilusões do mundo dentro de mim agora para conseguir navegar em um filme assim. Não é o peso do mundo de forma negativa, mas tudo o que a gente aprende, tudo o que vai colocando na bagagem ao longo do caminho. Seria impossível interpretar alguém verdadeiramente ingênua, de certa forma.”
A atriz admitiu reconhecer a ironia da reflexão sobre a personagem: “É curioso dizer isso sobre uma profissional do sexo, mas eu acho que havia uma inocência nela… acho que isso tem relação com ser jovem.”
Ao comentar como a recepção do filme mudou ao longo do tempo — a trama acompanha o romance entre Vivian e o magnata Edward Lewis, vivido por Richard Gere —, Julia disse compreender o desconforto atual de parte do público.
“Sempre que há uma grande passagem de tempo e mudanças culturais… pense em filmes e peças dos anos 1920, 30 e 40. Hoje, a gente olha e pensa: ‘Como as pessoas diziam e faziam essas coisas?’. São escolhas que fazemos como artistas, como apreciadores de arte, como pessoas que amam ler livros e ir ao teatro. Os tempos mudam, as pessoas mudam, as ideias mudam.”
A atriz também relembrou “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999), no qual contracenou com Hugh Grant, e confessou que inicialmente achou o enredo fraco.
“Quando meu agente me ligou, pensei: ‘Isso parece a ideia mais idiota de filme que eu poderia fazer. Vou interpretar a maior estrela de cinema do mundo e aí o quê?’. Mas li o roteiro e pensei: ‘Ah, isso é tão encantador. É tão engraçado. Droga'”, brincou ela.