Israel lança ataque em larga escala contra Teerã; Irã diz atingir Tel Aviv

Israel realizou intensos ataques aéreos contra os subúrbios ao sul de Beirute controlados pelo Hezbollah e iniciou nesta sexta-feira uma “onda de ataques em larga escala” contra infraestrutura em Teerã, enquanto o Irã afirmou ter atingido o coração de Tel Aviv com mísseis.

Explosões e clarões iluminaram o céu noturno sobre os subúrbios ao sul de Beirute, mostram imagens da Reuters. O Exército israelense afirmou ter realizado 26 ondas de ataques durante a madrugada na região, dizendo que os alvos incluíam centros de comando e depósitos de armas da milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) disse que mísseis Kheibar foram disparados em direção a Tel Aviv nesta sexta-feira como parte da 21ª onda da “Operação Promessa Verdadeira 4”. Em comunicado, a IRGC afirmou que a ofensiva começou com uma operação combinada de mísseis e drones contra alvos no centro de Tel Aviv.

Durante a madrugada, drones iranianos atacaram a base aérea americana de Al Udeid, no Catar, a maior base dos EUA no Oriente Médio, segundo autoridades catarianas. Não houve relatos de vítimas.

A IRGC afirmou que forças iranianas também atingiram a base aérea de Ramat David e um radar em Israel, o acampamento Al-Adiri no Kuwait, onde estão estacionadas forças dos EUA, e realizaram um ataque com drones contra uma base que abriga tropas americanas em Erbil, no Iraque.

Um porta-voz da Guarda Revolucionária disse que novas iniciativas e armas seriam empregadas em breve para enfrentar o que chamou de agressão de Israel e dos Estados Unidos, sem fornecer detalhes.

A guerra, agora em seu sétimo dia, já viu o Irã atacar Israel, países do Golfo, Chipre, Turquia e Azerbaijão, além de se estender ao Oceano Índico, onde um submarino dos EUA afundou um navio da Marinha iraniana perto do Sri Lanka.

“Esta é uma guerra existencial para o Irã, o que nos deixa sem escolha a não ser responder onde quer que os ataques americanos tenham origem”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, na conferência Raisina Dialogues, em Nova Délhi.

O Hezbollah, em mensagem publicada em hebraico em seu canal no Telegram na manhã desta sexta-feira, alertou israelenses para deixarem cidades localizadas a até 5 km da fronteira.

“A agressão de seu Exército contra a soberania libanesa e contra cidadãos pacíficos, a destruição de infraestrutura civil e a campanha de expulsão que está sendo conduzida não ficarão sem resposta”, afirmou o grupo.

Pelo menos 1.230 pessoas morreram no Irã desde o início dos combates há uma semana, segundo o Crescente Vermelho iraniano.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que 123 pessoas morreram e outras 683 ficaram feridas em ataques israelenses nesta semana. Os números não distinguem entre civis e combatentes. Não há registro de mortes em Israel em decorrência de ataques do Hezbollah.

O Azerbaijão preparava medidas de retaliação não especificadas na quinta-feira após afirmar que quatro drones iranianos cruzaram sua fronteira e feriram quatro pessoas no enclave de Nakhchivan. O Irã, que tem uma significativa minoria azeri, negou ter atacado o país vizinho.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes seguem neste domingo.

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