A liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos EUA reacender protestos contra o poder, levando uma população enfurecida de volta às ruas após a repressão mais sangrenta desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em reuniões de alto nível, autoridades informaram ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que a indignação pública com a repressão do mês passado atingiu um ponto em que o medo deixou de ser um obstáculo.
As autoridades disseram que Khamenei foi informado de que muitos iranianos estavam preparados para confrontar novamente as forças de segurança e que a pressão externa, como um ataque limitado dos EUA, poderia encorajá-los contra o sistema político.
Um dos funcionários disse à agência de notícias Reuters que os inimigos do Irã estavam buscando mais protestos para acabar com a República Islâmica e que, “infelizmente”, haveria mais violência se uma revolta ocorresse.
“Um ataque combinado com manifestações de pessoas revoltadas poderia levar ao colapso (do sistema governante). Essa é a principal preocupação entre as autoridades de alto escalão e é isso que nossos inimigos desejam”, disse a autoridade, que preferiu não ser identificada.
Diversas fontes disseram à Reuters na semana passada que o presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando opções contra o Irã, incluindo ataques direcionados às forças de segurança e líderes para incitar protestos, mesmo com autoridades israelenses e árabes afirmando que o poder aéreo sozinho não derrubará os governantes religiosos.
Tensão entre EUA e Irã
As tensões entre Teerã e Washington estão elevadas. A chegada de um porta-aviões americano e de navios de guerra de apoio ao Oriente Médio ampliou a capacidade de Trump de tomar medidas militares, caso deseje, após repetidas ameaças de intervenção devido à sangrenta repressão iraniana.
Diversas figuras da oposição alertaram a liderança do país que a crescente raiva pública poderia resultar no colapso do sistema islâmico.
“O rio de sangue quente derramado no frio mês de janeiro não deixará de ferver até que mude o curso da história”, disse o ex-primeiro-ministro Mirhossein Mousavi, que está em prisão domiciliar sem julgamento desde 2011, em um comunicado publicado pelo site pró-reformas Kalameh.
“Em que idioma as pessoas devem dizer que não querem este sistema e que não acreditam nas suas mentiras? Chega! O jogo acabou”, acrescentou Mousavi na declaração.
Durante os protestos do início de janeiro, testemunhas e grupos de direitos humanos afirmaram que as forças de segurança reprimiram as manifestações com força letal, deixando milhares de mortos e muitos feridos.
Teerã atribuiu a violência a “terroristas armados” ligados a Israel e aos Estados Unidos.
Trump não chegou a concretizar as ameaças de intervir, mas desde então exigiu que o Irã fizesse concessões nucleares.
Tanto Teerã quanto Washington sinalizaram disposição para retomar as negociações diplomáticas sobre a longa disputa nuclear.